Amaranto, bredo, caruru. São alguns dos nomes das espécies da família Amaranthaceae. Família grande: são cerca de 70 espécies, sendo pelo menos 17 delas comestíveis.

O amaranto, alimento que está se tornando cada vez mais conhecido no Brasil, nasceu na região onde hoje está o Peru, a Bolívia e o México. Consumido pelos incas há mais de 8 mil anos, já foi o alimento principal deste povo. Estudos da Universidade de Michigan mostraram que o amaranto também era bastante consumido pelos astecas, que com suas folhas faziam chás para aliviar dores de estômago, ou usavam as sementes para fazer uma pasta que era oferecida aos deuses. Há registros do uso do amaranto na cultura grega há muitos séculos – símbolo da imortalidade, era utilizado para coroar guerreiros.

Atualmente, os chamados alimentos funcionais, como quinoa, aveia e chia, tem tido grande procura por seu alto valor nutritivo e seu baixo índice calórico. O amaranto não é exceção – seus grãos podem produzir farinhas que contêm proteínas de alta qualidade, baixo teor de colesterol, além de grandes quantidades de vitaminas, fibras e minerais, como cálcio, fósforo e ferro.

Por isso, é tido como um alimento quase completo, comparável à combinação do arroz com feijão – tem 14% de proteínas (o feijão tem 23%) – ou, ainda, como substituto de um dos itens do café da manhã ocidental – sozinho, o amaranto contém mais proteínas do que pães, queijos e leite. A planta produz milhares de sementes minúsculas que, visualmente, se parecem com o arroz.

A ciência brasileira começou a se interessar pelos benefícios do amaranto há pouco mais de 20 anos. O grão foi trazido ao país na década de 1990, e a cidade que deu o pontapé inicial na produção nacional foi Planaltina, no Distrito Federal. Dos Andes para o Cerrado – e deu certo! Apesar de recente, a produção brasileira já supera a de países que o produzem em larga escala, como Peru e Bolívia.

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Seu sabor é leve, semelhante ao da soja, e a cada dia conquista mais espaço na mesa dos brasileiros – ainda que não seja encontrado com facilidade em mercados comuns e seu preço não seja dos mais baixos.

Por ser rico em cálcio, pode ser indicado para pessoas com intolerância à lactose. O ingrediente também funciona como ótima alternativa para o cardápio dos celíacos, além de ajudar no controle da glicemia em diabéticos, graças à alta concentração de fibras alimentares – maiores do que as encontradas na aveia, no milho ou no trigo.

Uma característica singular do amaranto é a grande concentração de esqualeno, cujas propriedades incluem ação antioxidante no combate aos radicais livres, aumento da oxigenação do metabolismo e também da imunidade. Quantidades tão significativas de esqualeno só são encontradas nos óleos de fígado de alguns animais marinhos.

Com tantos benefícios, vale a pena incluir o amaranto na dieta do dia a dia. Muito mais do que consumido apenas como cereal, o grão é muito versátil em seus usos: pode ser misturado com outros grãos, como o arroz, a quinoa, a chia – e servido em pratos quentes -, ou compor saladas frias. A farinha de amaranto pode ser substituir a de trigo – parcial ou totalmente – no preparo de pães, panquecas ou bolos. Pode ser combinada a legumes e verduras no preparo de sopas e cremes. Pode ainda enriquecer sucos e vitaminas. As folhas também entram no preparo de chás, refrescos e molhos.

Apesar do tamanho pequeno dos grãos – cerca de 1 milímetro, é possível fazer pipoca de amaranto. Os povos do Himalaia a misturam com mel – assim como faziam os maias e os astecas séculos atrás. O resultado é um prato conhecido como “laddoos”.

O amaranto entra na categoria de “superalimento”. E esse grão – que veio do frio dos Andes para o calor do Cerrado – certamente merece essa qualificação.

Texto: Cristiana Couto*

*Cristiana Couto é jornalista de gastronomia, doutora em História da Ciencia e autora do blog Sejabemvindo. É autora do livro Arte de Cozinha : Dietética e Alimentação em Portugale no Brasil (sécs. XVII-XIX), pela editora Senac-São Paulo, e redatora-chefe da revista Wine Style.ja

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