Exigente e sarcástico, o chef francês conquistou o público brasileiro como um dos jurados no MasterChef Brasil. Para ele, a comida não tem nacionalidade, sendo apenas dividida em duas categorias: boa ou ruim. E seu trabalho é fazê-la boa, sempre!

Sotaque carregado, olhar exigente, crítico na medida exata: características que transformaram o chef Erick Jacquin em celebridade nacional. Ele é um dos jurados do programa MasterChef Brasil, reality líder de audiência na Band que, a cada temporada, está mais desafiador para os seus competidores. Além disso, o chef assina o cardápio dos restaurantes Tartar&Co e Le Bife, ambos em São Paulo. Para ele, qualidade é ingrediente essencial em qualquer cozinha. “Mesmo o trivial deve ser preparado com dedicação. Cozinhar é um modo de vida. Na França é uma magia que passa de geração para geração”, comenta.

Por isso, ele não se diz adepto de truques culinários. Pois, o segredo de uma boa comida é apostar em alimentos frescos e de qualidade. “Nada de misturar demais os sabores, é fundamental respeitar o gosto de cada ingrediente”, argumenta.

De acordo com o chef, quem deseja investir na gastronomia deve contar com três itens essenciais. “Um sal de qualidade, um bom azeite e uma panela”, avalia. Para ele, uma dica importante é usar a flor de sal. “É a primeira safra do dia, um tipo de sal mais leve”, explica. E Jacquin garante que tal item faz toda a diferença no sabor do prato. Outra sugestão é ter sempre um azeite de oliva extra virgem, pois é um produto que não pode faltar no preparo dos alimentos. E por fim, apostar em uma panela de ferro fundido que, segundo ele, conserva mais o calor, auxiliando na cocção dos alimentos.

A seguir um bate papo descontraído com o chef francês que chegou ao Brasil em 1994, e hoje faz sucesso na TV com suas caras e bocas, comentários ácidos e destreza em manusear as ferramentas que compõem uma cozinha, preparando pratos de dar água na boca.

Qual lembrança guarda da infância em relação à culinária? Algum prato preparado por um ente querido, algum tempero especial?
Sempre que voltava da escola, ainda no caminho para chegar em casa, já sabia o que minha mãe estava preparando para o almoço pelo cheiro que saía de casa.

Como transformar um prato em algo especial? Existe algum segredo para transformar até mesmo o trivial em algo marcante?
Apostar em ingrediente de qualidade, pois isso faz a diferença. Extrair o que há de melhor do ingrediente. Afinal é muito difícil extrair algo bom de algo ruim.

É possível cozinhar de forma ‘descomplicada’? Poderia dar dica de algum ingrediente diferenciado que poderia ser preparado no dia a dia?
Eu cozinho sempre de forma simples. O que é a técnica? A técnica serve para ser mais eficiente, preciso, rápido e fazer mais fácil. Cozinhar no vapor é algo muito simples, rápido e fácil. É só colocar e esperar e, em pouco tempo, fica pronto. Sem precisar fazer nada. Só verificar o tempo certo de tirar. Cozinhe de forma simples, use menos tempero e aposte em produtos frescos. Quando o alimento estiver finalizado, procure sentar-se à mesa para comer, sem pressa. Isso também faz toda a diferença.

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O que mais gosta de preparar? Por quê? E para quem?
Não restrinjo a somente algum produto. Só faço o que gosto de comer. Normalmente os grandes chefs imprimem uma marca nos pratos que fazem. Muito da minha personalidade, o que sou é representado nos pratos. O que mais gosto de preparar são alimentos de qualidade para mim, para amigos e para os clientes.

O que mais te encanta nos ingredientes brasileiros? Poderia citar algum que não pode faltar em seu cardápio?
As frutas, como figo e manga. Não pode faltar flor de sal, azeite de oliva de extrema qualidade e ervas frescas.

Quais suas inspirações para cozinhar? Cozinhar é uma paixão? Isso tem de ser alimentado continuamente?
São os clientes. Sim, é uma paixão, e para mim isso acontece de forma natural e continuamente.

Por que o programa MasterChef virou uma ‘febre’, com audiência sempre em alta e atraindo tantos cozinheiros amadores dispostos a enfrentar provas tão difíceis sob forte pressão? Qual é o segredo deste sucesso?
MasterChef é sucesso em vários países. Gastronomia é cultura, o programa é um reality com conteúdo e informação. Isso que atrai as pessoas. As pessoas estão cansadas dos realities sem conteúdo. Além disso, a valorização da profissão, os chefs midiáticos, a indústria de alimentação, a conscientização de se alimentar melhor, os grandes debates em relação aos produtos orgânicos, os produtos de origem e a potência do tema gastronomia nas redes sociais. Hoje as pessoas, por meio das redes sociais, interagem sobre esse grande tema e, ao redor da mesa, se conectam através da comida e pela comida.

A impressão que temos, acompanhando cada edição, é de que as provas estão cada vez mais difíceis. Isso é proposital, é uma forma de selecionar quem realmente cozinha bem e, de certa forma, eliminar quem poderia estar ali apenas para ‘aparecer’?
A cada temporada o programa evolui e precisa se renovar para que seja interessante. A cada temporada o número de inscritos aumenta e, portanto, acabam ficando os melhores.

Em sua opinião, qual foi o prato mais difícil de ser elaborado desde a primeira edição do MasterChef Brasil? Por quê? E qual sua dica para fazer tal prato/ ingrediente?
As coisas mais simples são as mais difíceis. Fazer uma omelete ou um arroz que não esteja cru, muito cozido ou empapado é algo que sempre surpreende e, muitas vezes, dificulta a prova. Há situações em que os competidores fazem pratos complicados e, que no final poderiam ir para algo simples, menos trabalhoso e mais eficiente para obter o resultado final. Nada é complicado, se o competidor souber a técnica, conhecer harmonia de sabores e contrastes e apostar em uma boa apresentação. A melhor dica para criar um prato é ter memória gustativa. Sem experimentar, é possível imaginar um ingrediente com outro e já desvendar este sabor. Um grande cozinheiro tem que gostar de comer.

Qual é o maior desafio para os competidores do programa: conhecer os ingredientes e conseguir trabalhar com eles? Ser criativo ou ter habilidade com as técnicas de preparo? Saber controlar a emoção ou trabalhar em equipe?
Em todas as provas, o competidor tem que ter um raciocínio rápido para decidir em pouco tempo o prato, ir às compras, pegar todos os ingredientes, não esquecer nada e saber improvisar nas dificuldades. O segredo é pensar antes de cozinhar e planejar de maneira inteligente.

O Masterchef Junior conquistou o público de forma muito especial. O que as ‘crianças’ ensinaram aos ‘adultos’? Poderia citar dicas que podem ser colocadas em prática no dia a dia de uma cozinha?
As crianças não têm censura e limites, e para o processo criativo é importante. Estão em fase de desenvolvimento e tudo é novo, estão abertas a escutar e aplicam o que foi ensinado. Sem contar que são muito aplicadas e concentradas.

Texto: Simone Cunha

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