“Eu não como muito, é que tenho ossos largos.” Esta era uma das tiradas do “Gordo” Oliver Hardy, rechonchudo desde 1892, quando nasceu. Fruto do seu desmedido apetite e metabolismo: quando criança, devorava 20 biscoitos de nata feitos pela mãe, de uma só vez. Passou a comer ainda mais após a morte trágica de um irmão, afogado diante de seus olhos. Aos 15 anos, “Ollie” já batia nos 110 kg. Não chegava a parecer um Rei Momo, já que a estatura de 1,85 m ajudava a distribuir o peso.
Nenhum traço físico ou psicológico atravancou as suas pretensões artísticas. Desde cedo interessado em música e teatro, Hardy teve aulas de canto e dramaturgia em Atlanta. Em 1910 foi projecionista, bilheteiro e gerente do cine-teatro de Milledgeville, cidade onde morava. O pensamento de ser ator nasceu por aí. Três anos depois partiu para Jacksonville, Flórida, atraído pela florescente indústria local de cinema. Cantava em um cabaret à noite e ralava no Lubin Studios de dia. Tudo aconteceu bem depressa: em 1915, já realizara 50 curtas-metragens.

LAUREL & HARDY

Após trabalhar com Charles Chaplin e passar por alguns estúdios de Nova York e Los Angeles, o “Gordo” começaria a atuar com o “Magro” graças a uma perna de carneiro.

Com sua segunda esposa doente, Hardy assumiu a cozinha e um belo dia, acabou se queimando feio ao retirar a peça do forno. Hospitalizado, não teve como rodar o filme “Get ’Em Young”, cujo diretor era ninguém menos que o inglês Stan Laurel. Na falta de um ator substituto, o próprio Stan assumiu o papel de Oliver Hardy. O supervisor do Hal Roach Studios, Leo MacCarey, gostou tanto do resultado que resolveu colocá-lo no próximo filme, ao lado de “Ollie”.

Assim, em 1927, começaram a rodar comédias juntos, não ainda como parceiros: “Slipping Wives”, “Duck Soup” e “With Love and Hisses”. Com a reação positiva da plateia, o Sr. Roach percebeu que havia ali um par de ouros. “Do Detectives Think?”, do mesmo ano, marca o início da dupla de humoristas mais famosa da história das telas, em suas típicas roupas amarrotadas e chapéus-coco. A série bonachona duraria até 1950.

Ainda em 1927, o “Gordo e o Magro” consagraram o gênero “slapstick” em “The Battle of the Century”, incitando uma guerra de tortas entre a vizinhança. Outros sugestivos títulos de pastelão? “Da Sopa à Sobremesa”, “A Ceia dos Veteranos”, “Cozinheiros do Rei”.

Dos 106 filmes em que atuaram, três merecem destaque: “Amor de Cabra”, a última obra muda da dupla; “The Music Box”, que lhes rendeu o Oscar em 1932; e “Filhos de Deserto”, de 1933, considerado pelos críticos o melhor de todos.

sociedade-da-mesa

PRIME RIB, SPAGHETTI & CIA

Apesar dos gritantes contrastes de biotipo e temperamento entre os personagens, um completava o outro com perfeição. Na TV e no cinema, o “Gordo” era um cara impaciente, pomposo e se achava esperto. Mas tão crianção e estouvado quanto o humilde e trapalhão “Magro”. Nos bastidores, o líder do grupo e roteirista era Stan. Hardy geralmente chegava em cima da hora para gravar, vindo de uma partida de golfe. Eram muito amigos fora do set.

Enquanto Laurel tinha predileção por fish and chips e churrascos, Oliver curtia comida caseira, cozinha gourmet e bourbon, além de corridas de cavalos, beisebol, dança e cartas. Amava costela, e não raro, pedia bifes de 1 quilo acompanhados de batatas, fritas em gordura de bacon. Corajoso. Mas segundo os amigos, a atuação culinária do “Gordo” era de primeira, especialmente quando dava vida a waffles, espaguetes com molho de tomate, almôndegas e saladas Caesar.

A receita favorita dele era, surpreendentemente, algo bem mais leve e simples: maçãs cozidas com mel e amêndoas. Que Hardy elaborava ao seu próprio modo. Descascava só a metade superior da maçã, depois perfurava o centro, removia as sementes, e preenchia a cavidade com uma mistura de mel e bitter aromático. Depois, acrescentava as amêndoas picadas. Por fim, pincelava a fruta inteira com o mel. Praticamente vegano, a não ser pela cobertura de manteiga no topo, antes de ir ao forno por 1 hora. E pela guarnição de chantilly, o gran finale.

Nosso ator, mestre no improviso diante do fogão, possuía também um elogiado pomar em casa, com ameixas, pêssegos, figos, damascos e frutas cítricas. Um canto seu, de contentamento e satisfação, para esquecer os problemas conjugais. “Ollie”, que levava tanta alegria às pessoas, só foi ser feliz no terceiro casamento, depois de 1940.

No entanto, jamais perdeu a fome por causa das desventuras amorosas. Certa vez, teve até a ideia de criar porcos, perus e galinhas, engordá-los e abatê-los. Cumpriu só a primeira parte. Só tinha tamanho, o “Gordo” de coração mole.

Anéis de maçã com mel e amêndoas

INGREDIENTES:
– 50 g de amêndoas inteiras descascadas
– 4 maçãs médias
– sumo de 1/2 limão
– 100 g de natas
– 1 pacotinho de açúcar baunilhado
– 2 colheres de sopa de manteiga ou margarina
– 1 colher e meia de sopa de mel líquido
– canela a gosto

MODO DE PREPARO:
Numa frigideira, leve as amêndoas para torrar (sem gordura), retirando-as antes que fiquem muito escuras. Lave as maçãs e seque bem. Com um perfurador, retire o caroço, corte as maçãs em fatias fininhas, regue com o sumo de limão e deixe marinar um pouco. Bata as natas em castelo, misturando lentamente o açúcar baunilhado. Derreta a manteiga na frigideira, seque os anéis de maçã e leve para fritar cuidadosamente, de 1 a 2 minutos, de cada lado. Retire as maçãs e disponha em pratos de sobremesa, espalhe as amêndoas por cima e regue tudo com mel. Sirva com um montinho de natas e canela polvilhada.

Texto: Fábio Angelini

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