No tempo dos faraós, a balança tinha outra função além de pesar o ouro. Pesava restos mortais de reis e nobres, para determinar o seu destino pós-morte. Uma versão egípcia de julgamento final, retratada no “Livro dos Mortos”.

Na Mesopotâmia, o instrumento também carregava desígnios místicos, e na Babilônia, representava a igualdade entre os dias e as noites, os equinócios. O nome “balança” provém do latim “bilanx”, cujo significado é “dois pratos”.

A balança primitiva possuia um travessão de madeira com um eixo central, mais um prato preso por uma corda, em cada uma das extremidades. O peso padrão ocupava um prato, e o objeto a ser pesado, o outro prato. Estabelecido o equilíbrio do peso padrão, conhecia-se o peso relativo do objeto. Tal conceito ainda é empregado na culinária e em muitas farmácias de manipulação.

Hoje, há microbalanças que utilizam magnetismo ou fibras de quartzo. Mensuram até um milionésimo de grama. Mais sensível é a yoctobalança, criada em 2012: graças ao seu sensor de nanotubo de carbono, detecta alterações de massa da ordem de um próton (1 dividido por 1 septilhão). Por outro lado, já existem técnicas para pesar planetas e buracos negros. Tecnologia da pesada.

Toda essa precisão é preciosa para a ciência e o universo. Antes disso, a balança foi estudada por Aristóteles e Arquimedes. Inventada em 200 a.C., a balança romana (ou de vara) tinha braços desiguais e cursor móvel, modelo mais presente até o início do século XVII. Em 1669, o físico e matemático francês Gilles Personne de Roberval desenvolveu uma inovação para a época, com dois pratos sustentados por uma haste. A teoria mais completa de balança veio somente em 1747, através do suíço Leonhard Euler. Estamos falando exclusivamente das balanças mecânicas, aquelas que levam hastes rígidas, cutelos, cabos tensores e molas.

Sua introdução no mundo da cozinha foi lenta e gradual. Ainda hoje, muitos noivos esquecem de incluir o utensílio na lista de casamento. Não são poucos os chefs e as donas de casa que medem tudo ao seu próprio modo, plenamente confiantes na memória, nos olhos e na experiência, apoiados pela cultura das xícaras, colheres medidoras e dos copos americanos. Seu foco é volume, não o peso dos ingredientes. Cozinhar pela intuição é legal, mas não é sempre que funciona.

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Como determinar 235 gramas de farinha de trigo, ou qualquer outra dose incerta de açúcar ou sal? Em preparos com muitos ingredientes, ou para muitas pessoas, a receita pode desbalancear se não estiver tudo certinho. Para garantir o sucesso, nem pense duas vezes, recorra às balanças eletrônicas. Elas surgiram no século XX, especialmente em função da necessidade de exatidão da indústria química e dos laboratórios farmacêuticos. Nasceram novos sistemas de pesagem, com células de carga, bandejas de aço, circuitos integrados, microprocessadores e bobinas eletromagnéticas, que permitem aferir massas muito pequenas com grande acuidade.

Então, quem gosta de cozinhar, e mesmo quem é excepcional no olhômetro, vai evoluir com uma balança digital. Para fazer pratos internacionais, cujas medidas vêm em libras e onças. Para evitar desperdício de ingredientes, excessos inconscientes, controlar melhor o que se come, planejar as refeições da semana. Para seguir mais facilmente receitas de internet e livros de culinária, e para complementar a decoração da casa, por que não?

Encontramos balanças em vidro temperado, inox e aço-carbono. Funções tara, relógio com alarme, medidor de temperatura e umidade do ambiente. Display de LCD e controles touch screen. Um dos tipos mais avançados calcula a quantidade de calorias, carboidratos, fibras, proteínas e gorduras de mais de mil alimentos.

Sem esquecer que o símbolo dos profissionais de nutrição é a balança. A boa balança que equilibra a dieta. O sabor e a saúde na medida.

Texto: Fábio Angelini

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