A fantasmagórica abóbora do Halloween foi um lance plantado pelos irlandeses chegados na América, que acharam o vegetal muito mais apropriado para acondicionar velas, do que o original nabo europeu. Walt Disney, por sua vez, enxergou na abóbora o veículo perfeito para transportar os sonhos de Cinderela, em 1950.

A história da abóbora como alimento, no entanto, tem pelo menos 10 mil anos. Citada por egípcios, conhecida dos gregos, cultivada pelos povos pré-colombianos, e tida pelos chineses como o imperador dos vegetais. Quando espanhóis e portugueses aportaram no Novo Mundo, os indígenas americanos já cultivavam suas próprias variedades de abóbora, tanto para fins culinários quanto medicinais.

Se existe algo saboroso e nutritivo, versátil na cozinha e que não engorda, é a abóbora, o jerimum, a moranga. Consumida por todo mundo na versão doce ou salgada, cozida ou assada, em sopas, pães e compotas, purês e nhoques, refogados e saladas. Tão apreciada entre nós, quando vira o berço de camarões com catupiry. O doce de abóbora com coco, e o quibebe piauiense, feito com abóbora cozida picada, cheiro-verde, cebola, temperos e carne, às vezes. Sem falar das sementes salgadinhas tostadas, aperitivo praticamente irrecusável. Ou das flores de abóbora em omeletes ou à milanesa.

POLPA, SEMENTE E FLOR
O povo diz que é legume, mas a botânica classifica como fruto. A aboboreira, planta de caule rasteiro ou trepador, é símbolo de abundância e prosperidade, regeneração e imortalidade em diversas culturas, independentemente da variedade ou do formato. Maiores ou menores, redondas ou ovais, da polpa quase branca ao laranja escuro. A família das “Cucurbitaceae”, a mesma do pepino e da abobrinha, é vasta, e o gênero “Cucurbita” reúne inúmeras espécies selvagens e domesticadas.

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Romanos misturavam abóbora e mel para ajudar a digerir suas orgias. Médicos árabes usavam o suco como sedativo, e os etíopes, as suas sementes como laxativo. Os cherokees faziam chás para acalmar cólicas e febres. Na Índia, é costume colocar a polpa diretamente na testa, para aliviar enxaquecas.

É corrente a utilização das folhas para tratar queimaduras e infecções, das sementes como vermífugos infantis, e da polpa para neutralizar a acidez do estômago. Mas ainda há muito o que se estudar sobre o potencial terapêutico da abóbora. O que se pode afirmar, cientificamente, é que ela possui alta quantidade de betacaroteno, benéfico ao coração e à juventude; teor de fibras (solúveis) mais elevado do que lentilhas, feijões ou pão integral; muita água e poucas calorias, muito potássio e pouco sódio, o que favorece os hipertensos; e ações diurética e laxante comprovadas.

• Vitamina E: Pró-fertilidade e proteção contra a ação dos radicais livres (antioxidante).
• Vitamina C: Parceira do sistema imunológico, reduz os sintomas da gripe e beneficia a pele.
• Betacaroteno: Importante para os ossos, visão, imunidade, pele, cabelos e unhas. Reduz o risco de acidentes vasculares (coronarianos e cerebrais).
• Potássio: Ação diurética, auxilia os hipertensos, a controlar a frequência cardíaca e no bom funcionamento dos músculos.
• Cálcio: Essencial à formação óssea, colabora na prevenção da osteoporose.
• Ferro: Formação da hemoglobina e transporte de oxigênio. Bom para a saúde muscular e cerebral.
• Fósforo: Colabora na preservação da saúde óssea, recuperação dos tecidos e regulagem do pH sanguíneo.

Bom é que todas as épocas do ano são boas para encontrar e preparar uma abóbora bem gorda. E se serve de incentivo extra, a maioria maciça dos homens do leste europeu – habituados com uma dieta diária de sementes de abóbora – não sofre com problemas de próstata.

Texto: Fábio Angelini

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