Nesta edição, o Chef Mochileiro nos leva à encantadora cozinha campeira, ou cozinha dos pampas no RIO GRANDE DO SUL!

Principais características

A geografia do Rio Grande do Sul é um verdadeiro convite para que você se alimente do que vem da terra.

O grande território é abundante em:

Galeto Assado
  • temperos,
  • hortaliças
  • e ingredientes.

Nas Serras Gaúchas, onde há predominância de italianos, destacam-se aves, como o galeto assado.

Porém, o que marca mesmo o estado é o gado, a carne.

Quem tem amigos próximos em Porto Alegre bem o sabe: um bom anfitrião sempre convida pra um churrasco. Seja ele numa casa, sítio, fazenda ou nas sacadas gourmets dos apartamentos.

Também não podemos esquecer do chimarrão, do charque.

E muito menos da cuca e da ambrosia, que quando bem feitas só merecem elogios.

Vale experimentar todas estas gauchices.

Dicas de churrascarias

Churrascaria Rio Grande do Sul

Uma metrópole muito organizada, limpa e, como não podia deixar de ser, repleta de churrascarias.

1. Churrascaria Schneider

A Schneider, uma das mais conceituadas de Porto Alegre, deixa qualquer turista de joelhos, principalmente com a costela 12 horas, super tenra e macia, com sucos escorrendo pelas fibras da carne.

  • Lugar agradável e amplo, remete a um clima germânico.
  • Churrasco feito com capricho e cuidado, e na cocção das carnes percebemos o toque especial gaúcho.

Ok, vale a pena perder-se no buffet de comidas e sobremesas, que é de dar nó na cabeça pela variedade, mas lembre-se que você está numa churrascaria.

Peça um vinho bem encorpado, para harmonizar com a picanha e a maravilhosa costela, e lamba os beiços.

[Dicas de Vinhos para levar para um Churrasco ]

  1. VINHO CA’ LUNGHETTA PINOT GRIGIO ROSATO 2018
  2. VINHOS ECHEVERRIA 813
  3. VINHOS PRIMITIVO E ZINFANDEL

2. Churrascaria Braseiro.

Outra que merece destaque é a Churrascaria Braseiro.

Churrascaria Braseiro

As fotos expostas na casa mostram que ela é uma das queridinhas dos famosos.

Apresentadores, cantores, astros da TV, jogadores de futebol, jornalistas e outros sempre passam por lá quando visitam a cidade, seja a trabalho ou passeio.

É bem provável que você encontre algum deles.

A qualidade das carnes e do buffet é indiscutível, incluindo algumas comidinhas regionais como o carreteiro de charque e o matambre, carne que fica entre a pele e a costela do boi, cujo preparo mais conhecido lembra um rocambole de carne.

Outro diferencial do Braseiro é que você é convidado a visitar a adega e escolher seu próprio vinho. O preço faz jus à fama: bem salgado.

Mas vale cada centavo.

Caso consiga, deixe um espacinho para doces típicos da região, como:

  • a ambrosia (para quem não conhece, uma deliciosa receita de fazenda, feita com leite, ovos e açúcar),
  • sagu ao vinho tinto [melhor vinho] com creme de baunilha,
  • doce de marmelo
  • e doce de abóbora.

Delícias que não são tão fáceis de encontrar por aí, ainda mais com o capricho gaúcho.

Dicas de Mercados e Ervas

O Mercado Municipal de Porto Alegre fica no centro da cidade e não é tão grande, mas atende a todos que passam por ali, não só em hortifrúti, mas também em artesanato.

Uma experiência interessante é provar as ervas de várias marcas e espessuras que são usadas no chimarrão.

E com um gaúcho por perto para ensinar e explicar tudo, fica ainda melhor.

Existem várias maneiras de se fazer e experimentar a bebida, mas o gosto amargo no final sempre variará conforme a erva-mate escolhida.

Sugestões? Nenhuma. Todas são muito boas, vale escolher a que agradar mais ao seu paladar.

Aqui listamos algumas delas:

  • Nativa: feita com a erva-mate original, a Ilex paraguariensis. A maioria tem gosto suave e não é tão amarga.
  • Tradicional: a mesma planta, porém plantada em Venâncio Aires. Usada no chimarrão e no famoso terere (ou tereré) bebido gelado, possui amargor intermediário.
  • Moída Grossa: moagem não tão refinada, contém pedaços mais grossos da erva-mate e seu amargor é mais forte.
  • Pura Folha: quando se usa somente a folha da planta, deixando o sabor bem mais amargo que os demais. Muito consumida na Argentina.

TURISTANDO – Dicas de Lugares Culturais

E como nem só de comida vive o homem (nem o chef de cozinha), Porto Alegre também tem muito alimento cultural.

Vale levar a família ou, se estiver sozinho, fazer um giro pela cidade, visitando locais como:

  • O Teatro de São Pedro, que, com seu estilo neoclássico, já foi palco para vários artistas e orquestras importantes mundialmente, como a Orquestra de Versalhes.
  • Outro passeio interessante é o MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul, com seu acervo de mais de 3.500 obras de arte de artistas brasileiros (com ênfase nos gaúchos, é claro) e também estrangeiros.

BENTO GONÇALVES E AS VINÍCOLAS

Após visitar Porto Alegre, uma boa opção para quem tem um tempo sobrando é conhecer Bento Gonçalves, cidade que ganhou o epíteto de Capital Brasileira da Uva e do Vinho.

Após passar pelo gigantesco pórtico da cidade, que imita um barril de carvalho, prepare-se para conhecer um povo simpático e amigável, que exibe sorrisos esticados até na hora de dar informações.

Indo em direção ao Vale dos Vinhedos, para qualquer lugar que se olhe há plantações de uvas.

Parreiras e mais parreiras de vários produtores de vinhos compõem uma paisagem que encanta os olhos e provoca as papilas gustativas para que você visite vinícolas, destacando-se:

• Salton:

Simpatia e cordialidade dos colaboradores, em passeios agendados que duram cerca de duas horas, contando a história da vinícola.

No percurso, chamam atenção pinturas, tapeçarias e outras obras de arte. A visita termina com degustação de alguns produtos da vinícola.

• Miolo:

com mais de 100 anos de tradição, tem áreas de visitação bem menores do que a Salton, mas é possível passar perto dos parrerais, sentir e tocar as uvas. Um guia enólogo conduz a visita e conta a história da vinícola.

• Chandon: um dos passeios imperdíveis do Vale dos Vinhedos. A Chandon produz elegantes espumantes com uvas como Pinot Noir, Riesling Itálico, Chardonnay, Malvasia Bianca, Malvasia de Cândia e a Moscato Canelli. É possível degustar uma amostra da Chandon rosé antes da inserção do gás que dá as finas borbulhas. Ao final do magnífico passeio, degusta se todos os espumantes. Recomenda-se ir de estômago forrado para conseguir sair andando sem ajuda.

CANTINAS NA ESTRADA
Depois de tantas degustações, uma boa pedida é parar para almoçar ou jantar em alguma das cantinas que existem nas estradas do Vale dos Vinhedos. O Caldeira Restaurante, por exemplo, possui uma atmosfera aconchegante e descontraída, com velas em garrafas que são usadas como castiçais. Se o restaurante estiver lotado, você fica num balcão degustando típicos queijos italianos com um bom vinho, até vagar uma mesa. Já acomodado, peça meias porções, para poder provar dois pratos sem peso na consciência. A codorna com pappardelle e o ossobuco com polenta são de virar os olhos e suspirar a cada garfada. Como sobremesa, a imperdível Pera Moscatel, dividida em vários sabores, é a indicação do cordial Rafael Caldeira, proprietário do estabelecimento.

Conheça também a Trattoria Primo Camilo. O casarão antigo e rústico enche os olhos e o atendimento é bem acolhedor. A comida com sabor caseiro pede dois estômagos, de tão bem servidos que são os pratos. O talharim com alcachofra é um espetáculo. Mas se estiver com alguém, convença o acompanhante a pedir o nhoque com ragu, para que ambos tenham uma experiência dupla. Como sobremesa, sorvete ao forno. É dos deuses. Dica final: reserve ao menos 20 dias pra ir ao Rio Grande do Sul e alugue um carro. Os percursos são lindos, você conhecerá mais lugares e a viagem sairá mais em conta. Se não tiver todo este tempo, vá mais de uma vez. O Rio Grande do Sul Merece.

sociedade-da-mesa

Locais e endereços para vistar:

  • Hotel Continental Business: Praça Otávio Rocha, 49, Centro, Porto Alegre
  • Churrascaria Schneider: Av. Bahia, 29 – Navegantes, Porto Alegre
  • Churrascaria Braseiro: Av. Pernambuco, 569 – Navegantes, Porto Alegre
  • Mercado Público de Porto Alegre: Galeria Mercado Público Central, s/n – Centro Histórico, Porto Alegre
  • Theatro São Pedro: Praça Mal. Deodoro, S/N – Centro Histórico, Porto Alegre
  • Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS: Praça da Alfândega, s/n°, Centro, Porto Alegre
  • Vinícola Salton: Rua Mario Salton, 300, Bento Gonçalves
  • Vinícola Miolo: RS-444, 21 – Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves
  • Vinícola Chandon: BR-470, 224 – Integração, Garibaldi
  • Caldeira Restaurante: Tv. Antônio Ducati, 138 – Cidade Alta, Bento Gonçalves
  • Trattoria Primo Camilo: Av. Rio Branco, 1.080 – Centro, Garibaldi

Dica de Receita: Carreteiro de charque

INGREDIENTES:

  • 3 colheres (sopa) de banha de porco
  • 4 dentes de alho picado
  • 1 cebola picada
  • 700g de charque dessalgado
  • 3 xícaras (chá) de arroz
  • 6 xícaras (chá) de água
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • ½ xícara de cebolinha picada

MODO DE PREPARO:

  1. Aqueça a banha de porco, refogue a cebola e depois o alho.
  2. Corte o charque em cubos, coloque na panela junto com o arroz, a água e o sal.
  3. Quando levantar fervura, adicione uma pitada de pimenta. Abaixe o fogo e cozinhe por 10 minutos ou até o ponto desejado. Se necessário, acrescente mais um pouco de água.
  4. Assim que estiver pronto, desligue o fogo, acrescente a salsa e a cebolinha e mexa delicadamente.
  5. Sirva quente.

Boa viagem!

Texto: Eugenio Lorainev