/Por Daniel Salles

Se você procura um destino para uma viagem focada em vinhos, mas vai acompanhado de alguém que não dá a mínima para a bebida, considere seriamente a Nova Zelândia.

Em meio a encostas que remetem a filmes como O Senhor dos Anéis (não por acaso rodado no país), praias cinematográficas e desérticas, exuberantes vulcões inativos e montanhas cobertas de neve o ano todo, espalham-se atualmente mais de 700 vinícolas.

Em conjunto, elas colheram 413 toneladas de uvas no ano passado. Desse total, 73% correspondem à casta sauvignon blanc, o responsável número 1 por incluir o país no mapa dos vinhos reputados.

O pinot noir neozelandês, que tem ganho atenção cada vez maior no circuito global, representa 6,5% da produção. A exportação é um ingrediente indispensável para a maioria dos produtores.

Com 4,7 milhões de habitantes no país, quase 2 milhões a menos que o Rio de Janeiro, o mercado interno jamais poderia dar vazão a tanto vinho.

Desde 2014, 90% das vinícolas neozelandesas comercializam boa parte dos rótulos a quilômetros e quilômetros de distância. No Brasil, por exemplo.

O terroir, favorecido pela brisa do mar e pelos dias bem ensolarados (que propiciam grandes variações de temperatura), além dos outonos secos, é a principal explicação para o sucesso dos brancos e tintos mundo afora.

Chama atenção o fato de que o plantio de uvas no país começou efetivamente a tomar corpo a partir de 1973, na região de Marlborough – as espécies iniciais remontam a 1830.

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A seguir, conheça as vinícolas da Nova Zelândia que não podem ficar de fora do roteiro turístico. Todas ficam próximas de atrativos como estações de esqui, campos de golfe e plataformas de bungee jump – para a alegria daquela companhia que jamais leria esta reportagem.

| 1 | EM MARLBOROUGH

› Cloudy Bay

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Fundada em 1985, foi uma das cinco primeiras a apostar em Marlborough, que concentra 76% da produção do país. Arrematada em 2003 pelo conglomerado de luxo LVMH, dono de marcas como Moët & Chandon, Krug, Veuve Clicquot, Dom Pérignon, Château Cheval Blanc e Belvedere, entre muitas outras, a vinícola é uma das conhecidas fora da Oceania.

Sediada num casarão envidraçado em meio a um gramado com balanços de vime, exporta hoje para 30 países.

› Yealands

Inaugurada por Peter Yealands no dia 8 do mês 8 de 2008, nasceu com a pretensão de ser uma das vinícolas mais sustentáveis do mundo. A sede parece uma base alienígena, com estrutura arqueada. Ela tem isolamento térmico e um dos maiores conjuntos de painéis solares do país – as turbinas eólicas e a queima da poda das videiras também são fontes de energia.

Desde a inauguração, a vinícola acumulou 29 troféus e mais de 1.600 prêmios, principalmente graças à uva pinot noir e à sauvignon blanc.

| 2 | EM OTAGO

› Rippon

Ocupa o 8o lugar na última edição do ranking The World’s Best Vineyards, logo à frente da renomada bodega espanhola Marqués de Riscal, que tem um hotel projetado pelo arquiteto Frank Gehry. Está localizada na região de Central Otago, que concentra apenas 3% da produção de vinhos da Nova Zelândia. À beira do Lago Wanaka, de onde se avistam espetaculares rochedos sempre cobertos de neve, aposta em vinhos biodinâmicos e, principalmente, nas uvas pinot noir, riesling e gewürztraminer.

| 3 | EM HAWKE’S BAY

› Craggy Range

A segunda região que mais produz vinhos no país é a de Hawke’s Bay, com 9,3% dos vinhedos. É onde fica a sede da vinícola criada por Terry e Mary Peabody. Eleita a melhor do Novo Mundo em 2014 pela prestigiosa revista Wine Enthusiast, aparece na última edição do ranking The World’s Best Vineyards, em 11° lugar. Com 250 acres plantados, o empreendimento se concentra nos tintos de Bordeaux e nas uvas syrah e chardonnay. Destaca-se ainda pelo luxuoso hotel anexo e pelo restaurante, sob o comando do premiado chef Casey McDonald.