/Por Carolina Almeida

Em 1960, o Vale do São Francisco iniciou um projeto ousado: a plantação de videiras no semiárido nordestino, uma região com chuva escassa e clima quente. Para a loucura ficar completa, o Vale do Submédio São Francisco lançou seu primeiro vinho fino em 1984.

De lá para cá, a região ganhou importância, e atualmente é a segunda maior produtora do Brasil – atrás apenas do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul –, abastecendo aproximadamente 15% do mercado interno, com 8 milhões de litros de vinho por ano. O próximo passo para o reconhecimento da região deve ser a obtenção da Indicação Geográfica (IG), certificado que diferencia a qualidade de um produto dentro do mercado de acordo com as características daquele terroir.

Há meses, produtores do Vale do São Francisco trabalham em parceria com a Embrapa na formulação de estudos técnico-científicos para a solicitação da IG junto ao Inpi – órgão do Governo Federal que estabelece as condições de registro.

O dossiê, de mais de 150 páginas, contém informações sobre o vale, comprovação do reconhecimento no setor de vinhos finos, caracterização do clima, do solo, dos processos de produção, entre outras. A expectativa é de que a IG seja aprovada no primeiro semestre de 2020. Caso os planos se concretizem, o Vale do São Francisco será a primeira região do mundo de vinhos tropicais.