Em novembro de 2016, a jornalista britânica e colunista de vinhos do jornal inglês Financial Times lançou o livro Expert em Vinho em 24 Horas (Ed. Planeta).

Nele, a escritora – uma das poucas mulheres a ostentar o tí- tulo de master of wine – explica de forma bem didática como escolher um bom vinho, o preço justo a se pagar e como combinar com a comida.

Para celebrar os três anos da edição também aqui no Brasil, selecionamos as maiores crenças sobre a bebida que não têm o menor fundamento.

Tudo explicado por Mrs. Robinson, é claro!

› QUANTO MAIOR É O PREÇO, MELHOR É O VINHO

Segundo a especialista, as garrafas com boa relação custo- benefício estão na faixa entre 8 e 20 euros.

Considerando imposto sobre importação e outras taxas, seria algo em torno de 100 e 350 reais aqui no Brasil. “Acima desse valor, há o risco de pagar pelo ego, pela fama e pelas especulações do mundo do vinho.”

› VINHOS SUPERIORES SÃO VENDIDOS EM GARRAFAS MAIS PESADAS

É costume de espanhóis e produtores sul-americanos usar vidros mais grossos para engarrafar a bebida.

Mas, na prática, Jancis ressalta que isso não interfere na qualidade – além de ser pouco sustentável.

› TODO VINHO MELHORA COM O TEMPO

De acordo com Jancis, isso é válido para apenas 10% de todos os vinhos produzidos atualmente.

Brancos e rosés são quase inteiramente para ser degustados até um ano depois do engarrafamento.

Apenas os vinhos mais grandiosos e de terroirs consagrados, como os da França e da Itália, são produzidos para ser guardados por anos e até décadas.

› VINHO TINTO É MAIS FORTE QUE BRANCO

Existem muitos tintos elaborados com graduação alcoólica de 12%, a mesma quantidade que os vinhos brancos têm.

› TINTOS HARMONIZAM COM CARNE VERMELHA E BRANCOS, COM PEIXES E FRUTOS DO MAR

A autora explica que o corpo do vinho e seu efeito na boca são mais importantes do que, necessariamente, sua cor.

Ou seja, se você vai comer algo delicado, como uma burrata ou vieiras, por exemplo, faz mais sentido beber um vinho leve.

Vale chablis ou sauvignon blanc entre os brancos; pinot noir ou beau- jolais entre os tintos; além dos rosés.

“Se a ideia é comer barriga de porco, steak tartare ou filés de carne, talvez prefira algo mais potente, bem encorpado, como um syrah/shiraz, grenache/gar- nacha ou mourvèdre/mataro.”

A PROVA DO VINHO NO RESTAURANTE SERVE PARA DESCOBRIR SE VOCÊ GOSTA OU NÃO DA BEBIDA

O ritual é para checar se a bebi- da não tem nenhum defeito e se a temperatura está a seu gosto.

Para Jancis, o principal motivo para recusar uma garrafa é quando ela vem com cheiro e gosto de mofo.

A bebida nesse estado tem um nome: bouchonnée (lê-se “buchonê”), causado pela contaminação da rolha por fungos.