/Por Daniel Perches

Imagine a cena: um bar com torneiras de chope, nas quais saem líquidos na temperatura e na pressão certas. Uma experiência corriqueira, não? Agora, troque o chope dessas torneiras por vinhos. Acredite, isso já é realidade. A onda de winebares on tap permite beber vários tipos de vinhos, na dose que desejar, sem precisar pagar uma fortuna ou chamar todos os amigos para dividir garrafas abertas.

As “torneiras” mais comuns são as das máquinas dosadoras, que têm uma vitrine e, nela, a garrafa de vinho vai com um cano inserido. Ao ser acionado, o sistema puxa uma dose exata que sai diretamente na taça e insere imediatamente um gás inerte – em geral, o argônio –, que funciona como uma manta protetora para preservar o vinho que ficou na garrafa. Com isso, a bebida pode durar até 30 dias sem perder a qualidade.

Acesso direto

A proposta trouxe vários benefícios, mas o principal é poder provar um rótulo e pagar só o equivalente a uma dose dele. Por exemplo: se uma garrafa custa 400 reais, você vai pagar aproximadamente 32 reais para cada dose de 60 mililitros do vinho. Uma chance de conhecer grandes vinhos, provar outros que nunca bebeu, mas sem precisar investir alto.

Um dos bares pioneiros com essa oferta foi o paulistano Bardega, no bairro do Itaim Bibi. Inaugurado em 2011, nasceu com o objetivo de trazer o vinho para a mesa de bar dos paulistanos – sem o serviço formal de restaurantes, criando um modelo descontraído. Com um cartão que registra o consumo, você escolhe o que vai beber, aperta o botão correspondente à quantidade, posiciona a taça embaixo da torneira e pronto!

“Para a degustação em dose ser completa, o cliente precisa provar vários rótulos e estilos diferentes. Como mundo do vinho tem tantas possibilidades, oferecer menos do que os 96 rótulos disponíveis não seria suficiente para explorar bem esse universo”, diz Rafael Ilan, sócio do bar.

Barril de vinho

Outro modelo que vem ganhando espaço é o líquido tirado na pressão, exatamente como acontece com o chope. Feito com um sistema também de canos, o resfriamento acontece por serpentinas e o vinho fica armazenado em bag-in-box (que pode ser de 3 ou de 5 litros).

É o que acontece no Il Vinaino, uma casa recém-aberta no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Lá, você encontra um paredão com dez torneiras que servem tintos e brancos. Marcia Madureira, sócia da casa, teve a ideia assim que chegou de uma viagem ao país da bota. Com a proposta de democratizar o vinho, ela comemora o êxito com os clientes. “Por aqui, as uvas típicas italianas são as que fazem mais sucesso, com destaque para nosso vinho feito com a raboso.”

No winebar do restaurante Mon Caviste, em Belo Horizonte, essas torneiras são a atração principal. São sempre servidos um branco, um tinto e um rosé de origem francesa – em doses generosas e com preços acessíveis. Um lugar ideal para começar a noite, pedindo uma taça de cada e, por que não, combinando com a comida.