/Por Pedro Borg

Durante o episódio de abertura da série The Shop (canal HBO), produzida e apresentada por LeBron James, o atleta aparece em uma barbearia conversando com amigos sobre esportes, a vida e a presença de negros na cultura pop. Na mão dele tem uma taça de Château Latour, vinho francês da região de Bordeaux, que dividia com o também jogador da NBA Draymond Green.

O vinho é, atualmente, uma obsessão tão grande entre jogadores de basquete quanto tênis e títulos – estrelas das quadras estão comprando vinícolas e aproveitando a pré-temporada para visitar regiões viníferas na Europa em vez de ir descansar em praias do Caribe ou do Mediterrâneo. Sinais de uma mudança de mentalidade dos esportistas, que deixaram de ser apenas atletas e hoje são empreendedores e símbolos culturais.

E mais: a bebida é também uma alternativa ideal para que atletas de alto rendimento possam beber sem perder condicionamento físico. “O vinho causa menor prejuízo para o corpo do que outros alcoólicos por causa de compostos como o resveratrol, que é antioxidante e anti-inflamatório”, explica a nutricionista esportiva Amanda Costa. “O composto diminui a fadiga e melhora a recuperação muscular.”

Popovich deixou o vinho pop

O arremesso inicial desse novo comportamento veio com Gregg Popovich, atual técnico da seleção americana e do San Antonio Spurs. Considerado o primeiro técnico da NBA a apostar em talentos de fora dos Estados Unidos e fã de vinho, ele aproveitava seu time internacional para pedir aos estrangeiros para escolherem rótulos de seus países, como o francês Tony Parker e o argentino Manu Ginobili.

O hábito, até então despretensioso de um único time, expandiu-se para toda a liga americana por causa dos assistentes de Popovich que foram promovidos a técnicos em outras equipes e repassaram a tradição – caso de Steve Kerr, treinador do Golden State Warriors.

Paixão e negócios

Não é incomum checar as redes sociais dos principais jogadores da principal liga de basquete do mundo e ver menções a grandes rótulos de vinhos do Napa Valley, da Europa ou mesmo de produção própria. Bom exemplo é do recém-aposentado Dwyane Wade, apelidado de Flash e dono da vinícola D Wade Cellars, em Napa Valley, que administra em conjunto com a tradicional família Pahlmeyer.

O apreço dele pelo fermentado nasceu com os vinhos doces feitos a partir da uva riesling, que experimentou ao lado dos amigos Chris
Paul
(que defende o Oklahoma City Thunder) e Carmelo Anthony (ainda sem time, na janela de transição da temporada). O vinho da Alsácia foi responsável por despertar a paixão por vinhos nos três craques: Wade seguiu como empreendedor; Paul e Anthony foram no caminho da degustação.

Jogo é jogo e treino é treino

Carmelo Anthony poderia muito bem enveredar pelo caminho vinífero. Em reportagem na revista da ESPN americana, o repórter Baxter Holmes conta que, durante sua passagem pelo New York Knicks, Carmelo se notabilizou por participar de diversos jantares de harmonização com alguns dos grandes colecionadores de vinho da costa leste americana.

Assim como na hora de um arremesso, quando o cronômetro está prestes a zerar, ele ficava muito nervoso quando os convidados iriam provar o vinho que levava nessas degustações. Por causa disso, desenvolveu um grande olfato para vinhos, identificando uvas e terroirs em testes às cegas – tudo para não fazer feio em frente a seus novos amigos enófilos.

Jimmy Butler, atleta do Miami Heat, ficou conhecido por viajar com uma mala só de vinhos. Para disputar as Olimpíadas do Rio, em 2016, trouxe uma maleta cheia de pinot noir, que deve ter bebido em frente à Praia de Copacabana logo depois de ter recebido a medalha de ouro para a seleção americana.