/Por Artur Tavares

No imaginário moderno, existe a impressão de que o vinho é imaculado, que deve ser saboreado da maneira que veio ao mundo – e, de preferência, em taça e temperatura corretas. Antes de ganhar essa pompa, ele era utilizado comumente em bares ao redor do mundo como mais um ingrediente para adicionar aos preparos. Se o negroni completou 100 anos em 2019, a origem dos coquetéis feitos de vinho vai ainda mais longe.

Para ter uma ideia, um dos registros mais antigos de drinques feitos de champanhe é de 1861. Na ocasião da morte do príncipe Albert, do Reino Unido, um bartender do London’s Brooks’ Club decidiu que o vinho também devia participar do luto. Ele misturou a bebida espumante com a cerveja Guinness e criou um black velvet.

Quase um século depois, foi a vez de outro “príncipe” eternizar outra receita. Na cena mais memorável do filme Casablanca (1942), o ator Humphrey Bogart mira sedutoramente Ingrid Bergman e diz: “Estou de olho em você, garota!”. Se nos olhos dele está a diva, nas mãos está o champanhe cocktail, que mistura a bebida borbulhante com um cubo de açúcar mascavo, uma dose de conhaque e bitter.

Entre príncipes e astros, a bola da vez é Gabriel Santana. Bartender paulistano que fez fama na Suíça antes de voltar para São Paulo e tocar o conceituado bar Benzina, a estrela da coquetelaria reúne um feito inédito: é a única pessoa do mundo a disputar dois mundiais World Class Competition, além de ter vencido a etapa brasileira neste ano. Ele fala sobre o uso de vinhos em coquetéis: “Acho que se trata de uma busca por notas de tanino no coquetel, ou então de aspectos secos ou frutados”.

Entre os clássicos, seus favoritos são o bellini e o rossini, além da mimosa. Ele dá dicas para deixar coquetéis com vinhos ainda mais saborosos: “Se a sangria for branca, a uva pinot grigio dá um ótimo toque seco. Se for tinta, um perfil mais leve, como o da pinot noir, também cai bem. Para o drinque new york sour, que precisa de um pouco de punch, um malbec o deixa mais encorpado”.

E mais: “No mundo dos espumantes, a maioria dos coquetéis clássicos vai com champanhe. Mas, quando há uma mistura maior de ingredientes, como no spritz, um Prosecco é perfeito”. A versatilidade do vinho na coquetelaria fica clara na escolha dos coquetéis que Santana preparou para a Sociedade da Mesa.

Faça você mesmo

Aqui, as receitas para curtir o verão:

Kitiki (foto em destaque acima)

– 30 ml de cachaça ouro – 20 ml de vinho do Porto
– 15 ml de licor de banana
– 15 ml de sumo de limão taiti

Preparo: bata os ingredientes em uma coqueteleira e despeje em copo com gelo. Polvilhe canela em pó e decore com chips de banana.

New York Sour (foto abaixo)

– 50 ml de uísque bourbon
– 30 ml do sumo de limão-siciliano
– 15 ml de xarope de açúcar
– 10 ml de clara de ovo
– 5 ml de vinho tinto

Preparo: Bata todos os ingredientes (exceto o vinho) em uma coqueteleira e sirva em um copo baixo com gelo. Adicione o vinho lentamente, pela borda, para que ele fique abaixo da espuma e não se misture com o resto do líquido.

New York Sour | Crédito: Gustavo Pitta

White Pear Sangria (foto abaixo)

– 20 ml de vodca
– 10 ml de licor de pera
– 70 ml de vinho branco com perfil frutado

Preparo: adicione todos os ingredientes diretamente no copo e mexa. Decore com uma fatia de laranja e uma de pera.

White Pear Sangria | Crédito: Gustavo Pitta

St. Florant Vocktail (foto abaixo)

– 30 ml de gim
– 10 ml de Aperol
– 10 ml de sumo de limão taiti
– 2 jatos de angostura
– Champanhe

Preparo: bata todos os ingredientes na coqueteleira (menos o champanhe) e passe para o copo usando um coador. Complete com o champanhe.

St. Florant Vocktail | Crédito: Gustavo Pitta

Night in Paris (foto abaixo)

– 30 ml de gim
– 15 ml de sumo de limão-siciliano
– 10 ml de xarope de açúcar
– Espumante

Preparo: bata o gim, o suco do limão e o xarope de açúcar na coqueteleira. Despeje na taça passando por uma peneira. Complete com espumante e decore com gotas de calda de cereja.

Night in Paris | Crédito: Gustavo Pitta