/Por Marjorie Zoppei

Découverte du vin: experiência que propõe descobrir e explorar a variedade de sentidos e sabores dos vinhos brancos e tintos da região da Bourgogne, na França.

Essa sempre foi uma das principais motivações do empresário Alaor Pereira Lino, um engenheiro químico que, desde cedo, se interessou por gastronomia e lifestyle.

A Anima Vinum (loja e importadora) começou há quase quatro anos quando ele decidiu trazer a marca francesa homônima para São Paulo – ele é amigo dos proprietários da empresa, que existe há 20 anos na França.

Desde então, Lino mantém uma relação bastante próxima com os pequenos produtores familiares na Bourgogne, visitando-os frequentemente e fazendo uma curadoria dos rótulos.

O objetivo para tantos vaivéns é trazer as melhores experiências para uma clientela de entusiastas, amantes e conhecedores. Profissional na área de cosméticos, Lino sempre foi um pesquisador de tendências mundiais – desde segmentos de mercados até lojas especiais. No mundo do vinho, o entusiasmo segue o padrão.

Além de disseminar o conhecimento, quer proporcionar aos clientes a experiência gustativa a preços acessíveis. Representando 28 seletos produtores, tem mais de 100 rótulos no portfólio, todos produzidos de forma sustentável, com respeito e cuidado com o meio ambiente.

Por que montar uma loja só com rótulos de uma única região?

Sempre que entrava em uma loja de vinhos como consumidor, eu me sentia desconfortável com a quantidade de opções, com vinhos de todas as partes do mundo e enorme diversidade de tipos e sabores. Pensando nisso, pensei em uma loja que acolhesse desde os conhecedores até iniciantes,
com facilidade para mostrar rótulos semelhantes e de diferentes sabores. Principalmente de um local como a Bourgogne, que parece muito simples, mas é bem complexa porque existem vários pequenos produtores de fabricação muito pequena de diferentes terroirs de pinots (pinot noir) e chardos (chardonnay).

O mercado, em especial o paulistano, entendeu a opção de nicho?

Entendeu, sim. Recebemos muitos elogios inclusive de franceses que vivem aqui nos arredores. (A loja) atende aos conhecedores e aos iniciantes da Bourgogne, também incentiva os pequenos produtores de lá a virem até aqui e falarem de seus vinhos. Sem restrições com os outros vignerons
(enólogos) expostos, pois todos se conhecem e se relacionam de forma amistosa por lá. Um ajuda o outro.

Além de comercializar, há também uma proposta educacional?

Sim, com degustações regulares com a presença de vignerons ou de conhecedores, com exposição das regiões e dos rótulos. Acreditamos que, para vender vinhos que são concorrentes de rótulos conhecidos, temos de deixar o cliente provar.Assim, ele pode escolher baseado numa experiência degustativa.

Falta incentivo para que o repertório do brasileiro melhore?

Além da falta de conhecimento ou da possibilidade de experimentar, a promoção massiva e a venda de vinhos de todas as partes do mundo a preços muito baixos dificultam a percepção de qualidade do consumidor. A alternativa será sempre a da experimentação comparativa, oferecendo vinhos de preços de entrada adequados ao poder aquisitivo do consumidor brasileiro, mesmo com altíssimas taxas de impostos.

No último domingo de novembro aconteceu o famoso leilão de Hospices de Beaune, na Bourgogne. Como foi sua primeira participação no evento?

Participo pessoalmente desde 2014. É uma obra solidária exemplar, que recompensa o doador com vinhos maravilhosos.

Em 2018, houve repercussão internacional por causa de um barril que você arrematou por 200 mil euros. Como foi o processo?

Houve, sim, e fiquei muito impressionado. O leilão da peça do presidente é um leilão à parte – o valor é revertido para instituições de caridade de todo o mundo –, com três ou quatro artistas auxiliando na valorização das barricas. Em 2018, foram duas barricas: uma de Meursault Genevrières (288 garrafas de vinho branco) e outra de Corton Grand Cru Clos du Roi (288 garrafas de vinho tinto). Neste ano, foi de apenas uma barrica de Corton Grand Cru Blessandes (288 garrafas de vinho tinto), cujo valor arrematado pela Anima Vinum Francesa, com nosso apoio, foi de 260 mil euros.

Qual é o balanço dessa última edição?

Testemunhei a declaração de vários especialistas de que será a safra do século, a melhor dos últimos 42 anos. Eu participei da degustação de toda a coleção na sexta feira (15/11). Saí encantado com os Volnays, Pommards, alguns Beaunes… Dos grandes vinhos nem se fala, como o Mazis Chambertin, Echezeaux, Clos de la Roche. Os brancos, decorrentes do verão muito quente, tiveram os rendimentos aumentados em 14,5%. Esse vinho precisa amadurecer para, mais tarde, ser engarrafado.

Onde ele está agora?

Trata-se da melhor colheita de uma pequeníssima parte de um dos 117 climats (parcelas de vinhedos delimitados nas encostas de Nuits e de Beaune, ao sul de Dijon). É bastante seletivo e deve ser envelhecido com muito mais calma e detalhes, devendo ser colocado em caves por alguns anos para um melhor aproveitamento. Nosso plano não é vender as garrafas, mas sim promover degustações para que os clientes conheçam esses sabores. Uma forma de partilhar essas obras-primas.

Já tem previsão de chegada e preço no Brasil?

A ideia é receber parte dos brancos no fim de 2021 e, a cada término dos próximos anos, até 2025, parte dos tintos e brancos. Teremos tempo e muitas degustações de acordo com cada etapa da finalização do envelhecimento desses rótulos. Durante esse tempo, vou visitar os dois vignerons e acompanhar a progressão desses vinhos até a fase de expedição ao Brasil. Inclusive, podemos organizar visitas de clientes interessados em acompanhar o processo – é só falar com nossa equipe.