/Por Marjorie Zoppei

Os vinhos verdes são bebidas leves, jovens, refrescantes e com efeito agulha (que pinica na língua). Assim eram conhecidos os vinhos produzidos no Minho, a maior região demarcada portuguesa e também uma das maiores da Europa – a delimitação oficial da área aconteceu em setembro de 1908 e, pelos quase 112 anos, é a mais antiga do país.

Não, a coloração do vinho não é verde. Não, nem todo vinho verde tem essas características. O nome é uma referência à paisagem natural, que é predominantemente verde.

Quinta da Aveleda

O sinônimo da categoria para a maioria dos brasileiros, durante muito tempo, foi o rótulo Casal Garcia – produzido pela Quinta da Aveleda. Mas muita coisa tem mudado por lá: é possível encontrar vinhos brancos com passagem por madeira, ótimos espumantes, rosés bem estruturados e delicados tintos.

Com forte presença no mercado internacional, os produtores estão conseguindo valorizar as particularidades de cada terroir. Por causa da extensão territorial, a região do Minho é dividida em nove sub-regiões: Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção e Melgaço, Paiva e Sousa. Das castas típicas estão as brancas alvarinho, arinto, avesso, azal, loureiro e trajadura, e as tintas espadeiro, padeiro e vinhão.

Rogério de Castro, da Quinta de Lourosa

Um giro lusitano

Paisagens naturais, boa estrutura hoteleira, monumentos históricos… Apesar de todos os fatores, o enoturismo ainda é recente no Minho. A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), criada em 1926 para regular a produção e o marketing da DOC, organizou e faz a divulgação de diversas rotas temáticas.

Hotel Monverde

Entretanto, o viajante ainda precisa entrar em contato com as vinícolas para reservar o passeio – lembrando que muitas quintas fecham aos fins de semana. Quem desembarca por lá no outono e no inverno é recebido por paisagens alaranjadas, lareiras acesas e rótulos estreando nas prateleiras.

O verão é tempo de vindima e, em muitas vinícolas, o visitante pode colocar a mão na massa durante a colheita. A primavera oferece clima ameno e paisagens deslumbrantes. E, ao longo do ano inteiro, a ótima gastronomia e a simpatia dos anfitriões são as atrações principais.

A rota dos vinhos verdes

Um guia prático para curtir a região.

O que visitar

Quinta da Aveleda

Entre alamedas, árvores centenárias, lagos e fontes, está instalada a vinícola que produz os rótulos Casal Garcia, o vinho verde mais consumido no mundo. Além do passeio pela quinta, vale reservar uma mesa no restaurante (para grupos de dez a 50 pessoas) e visitar as caves e as vinhas. Depois da prova, o pacote inclui conhecer a área de engarrafamento.

Quinta de Lourosa

Com origem no século 17, é hoje encabeçada pelo professor catedrático Rogério de Castro e a filha dele, Joana de Castro. A pouco mais de 40 quilômetros da cidade do Porto e com uma simpática hospedaria, o passeio inclui visitas às vinhas e à nova adega, além de provas de vinhos.

Quinta das Arcas

Constituída na década de 1980 com o propósito de viticultura moderna, produz atualmente cerca de 2,5 milhões de litros. Além da visita guiada, com prova dos rótulos harmonizada com tábua de queijos e azeite, há um percurso para caminhada (10 quilômetros) entre as vinhas e o centro agrícola.

Covela

Uma das grandes vinícolas de exportação, recebe visitantes que percorrem livremente caminhos demarcados por vinhas, bosques e hortas. Durante o passeio, podem conhecer o velho moinho de água, onde antigamente era moída a farinha de milho que incorporava a receita da tradicional broa da região.

Soalheiro

Pioneiro na criação do vinho Alvarinho em Melgaço, é referência internacional para os vinhos dessa casta. A vinícola propõe passeios na vinha, rafting, programas de gastronomia – com prova de vinhos – e educação sobre sustentabilidade de produção entre as atrações de enoturismo.

Onde ficar

Monverde Wine Experience Hotel

Premiado por três anos consecutivos no Best of Wine Tourism, está instalado numa propriedade de 30 hectares. Além de hotel, também investe na produção de vinho (as vinhas assumem o protagonismo até na decoração), no serviço de spa e em um restaurante de alta gastronomia.