/Por Marina Cavalcanti

Sprays também são utensílios de cozinha: eles transformam líquidos em gotículas, fazendo uma nuvem homogênea chegar a superfícies ou a alimentos. Pode ser um spray de óleo para untar uma fôrma ou de água para umedecer uma massa usada na confeitaria.

Mas, agora, a ideia da Quinta da Boeira, em Portugal, é que se possa borrifar um vinho – no caso, o Porto Very Old Tawny, que sai de um elegante frasco de 100 mililitros e vai diretamente à boca.

A empresa produziu, por enquanto, mil unidades de uma embalagem que lembra a de um perfume e guarda um vinho do Porto de 1917, ao preço de 100 euros. A vinícola, dona de outras versões sofisticadas de garrafas, deve produzir mais opções em formato de “perfume” com bebidas que têm 20, 30 e 40 anos.

Como regra geral, quanto mais álcool uma bebida contém, mais ela consegue durar. Em 2015, a crítica inglesa Jancis Robinson participou de uma degustação de vinhos do Porto e descreveu como magnífico o líquido de uma garrafa datada de 1868. E mais: apesar da idade, ainda era “vivo, vigoroso e rico”.

O Porto é um dos chamados vinhos fortificados, um processo que, antigamente, era feito para levar a bebida em viagens sem que ela estragasse. Isso porque ela tem adição de aguardente de uva durante a vinificação, que neutraliza a atividade das leveduras e interrompe a fermentação. O resultado é uma bebida com teor alcoólico de cerca de 20% e uma doçura agradável.

Quando um Porto é do tipo tawny, significa que envelheceu em madeira e que pode desenvolver aromas terciários potentes, como café, frutas secas e figo. Seu estágio mínimo em barris é de três anos, mas pode chegar a até 40.

O tawny tende a ser mais claro e acastanhado do que Portos jovens, mais simples e de cor púrpura, conhecidos como rubi. Existe uma D.O.C. (denominação de origem controlada) reservada aos vinhos do Porto, produzidos em uma região delimitada que segue o curso do Rio Douro, no norte de Portugal.

Até o trabalho pioneiro de José Ramos Pinto Rosas e João Nicolau de Almeida, na década de 1970, pouco se sabia sobre as variedades de uva que cresciam naquele local.

Depois de um estudo, foram identificadas, entre as tintas, as cepas touriga nacional, touriga franca, tinta roriz, tinto cão e tinta barroca. Entre as uvas usadas para fazer vinho branco do Porto estão viosinho, gouveio, malvasia e rabigato.