Por Alberto Pedrajo, de Rioja (Espanha)

Todos conhecemos os efeitos que a lua exerce sobre as marés, que acontece devido à atração gravitacional da massa lunar. Quando o sol e a lua estão alinhados, com a Terra ao meio, o sol ilumina a parte visível da lua – correspondendo à fase de lua cheia.

Neste momento, as forças de ambos os astros estão alinhadas e o efeito sobre a maré é mais intenso. Talvez este fenômeno seja mais evidente e fácil de interpretar. Mas o que acontece com o restante da natureza? 

Fui criado no meio rural e, desde pequeno, sempre ouvi que os mais velhos levavam em conta as fases lunares na tarefas no campo, como semear, colher, adubar etc.

E é cada vez maior o número de vinícolas que consideram a lunação em diversas atividades no vinhedo: a vindima, a decantação do mosto e o engarrafamento não são decididos pelo enólogo, mas sim pelos astros. Vale ainda destacar a biodinâmica, que reflete melhor o que é trabalhar ao compasso da lua, já que ela dita o momento dos trabalhos no campo e na bodega, para potencializar suas qualidades.

Pode ser que, por trás da lenda ou sabedoria popular, haja alguma ciência quando se diz que engarrafar durante a lua cheia evita que o vinho fique turvo, o que elimina o processo de clarificação ou estabilização. E certamente não há como ser prejudicial – talvez até seja justamente o contrário. 

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Ciclos em prática

Vamos entender as regras básicas das etapas lunares, que dura 28 dias. Durante parte deste tempo, a lua é minguante e o resto, crescente. Este ciclo marca os trabalhos no campo, de maneira que, quando a lua está crescente, sua influência acelera os fluidos nos seres vivos e seu entorno: a maré sobe, ervas florescem e o vinho fica mais instável – por isso, nesses dias, ele não pode ser decantado, clarificado, nem engarrafado.

A fase minguante, no entanto, é bom momento para fermentação, pois potencializa aromas e sabores. 

Contudo, a influência da lua também pode ser afetada por outros astros. Como quando a lua passa pelas constelações, que formam os signos do zodíaco e se agrupam em quatro elementos: água, ar, fogo e terra.

Quando passa por sagitário, por exemplo, cuja energia é a do fogo, os trabalhos do campo serão influenciados por esse caráter – que no caso do vinho se relaciona com a fruta. Se o desejo é potencializar a fruta no vinho, o ideal é realizar trabalhos como poda, decantação ou engarrafamento.

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E se existe um compasso entre a lua e a produção, o mesmo acontece com a degustação. Os quatro elementos das constelações influenciam, com suas energias, diferentes grupos de aromas e sabores: fogo destaca a fruta; terra ressalta as raízes; água é a folha; e o ar realça a flor. 

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