/Por Maria de Moraes

À beira do Atlântico, mas com clima mediterrâneo, a Cidade do Cabo cultiva um estilo próprio de savoir-vivre. O chinelo é bem-vindo nos lugares da moda e estar ao ar livre (surfando, correndo, velejando ou pedalando) tem mais ibope do que badalar como se não houvesse amanhã.

É durante o dia, afinal de contas, que a cidade maravilhosa da África do Sul dá o melhor de si, com suas montanhas gloriosas – Table Mountain, Lion Head e Twelve Apostles – disputando suspiros com praias para Rio de Janeiro nenhum botar defeito e vinhedos que contribuem para que o país africano seja o nono maior produtor de vinhos do mundo.

Tintos, brancos, rosés e espumantes são parte do cotidiano dos capetonians. E você terá ótimas oportunidades para harmonizar alguns programas clássicos com boas tacinhas de chenin blanc (cepa predominante entre os brancos) ou pinotage, a uva mais emblemática do país, criada a partir da cruza entre hermitage e pinot noir. Depois de pegar aquela praia em Clifton, veja o pôr do sol no The Bungalow (thebungalow. co.za) com um espumante método clássico em seu baldinho.

Ao curtir os embalos das First Thursdays (first-thursday.co.za), quando bares, galerias e lojas lotam até tarde, faça uma peregrinação pelos wine bares da hypada Bree Street, como o Frogitt & Vonkel (@ frogittwinebar) ou o novo Leo’s (leoswinebar.com).

Tampouco faltarão produtores de vinhos vendendo suas criações no badaladíssimo mercado do Old Biscuit Mill (theoldbiscuitmill. co.za), o lugar para ver gente aos sábados – onde fica o The Test Kitchen (thetestkitchen.co.za), único restaurante africano na lista do The World’s 50 Best Restaurants.

É de lei, também, incluir umas garrafas no kit do piquenique em Kirstenbosch, um dos jardins botânicos mais belos do planeta, em Constantia, onde os holandeses – primeiros colonizadores do país – inauguraram a viticultura sul-africana, em 1655.

Reserve um dia para conhecer o parque e também as vinícolas do bairro, como Groot Constantia (grootconstantia.co.za), a mais antiga da África do Sul, fundada em 1685.

Para quem acabou de chegar, eis uma boa oportunidade de ter um primeiro contato com a arquitetura colonial holandesa (conhecida como Cape Dutch) e com o Constantia Wyn, vinho de sobremesa à base de muscat blanc à petits grains, que caiu no gosto de Napoleão e outras celebridades e colocou o país no mapa enológico.

Ouro africano

Você pode até dar uma bicadinha nas winelands dos arredores da Cidade do Cabo a bordo de um ônibus turístico de dois andares (citysightseeing. co.za). Mas vale a pena investir dois ou três dias, já que o eixo formado pelas cidadezinhas de Stellenbosch e Franschhoek ostenta algumas das paisagens mais espetaculares do país, além dos rótulos mais cobiçados – e restaurantes que valem a viagem.

Um dia perfeito em Stellenbosch pode começar com um café da manhã de sonho na The Bakery, de frente para um laguinho na vinícola Jordan (jordanwines.com), e seguir com uma degustação na Dornier Wine Estate (dornier.co.za), onde as moderníssimas instalações de produção fazem um bonito contraste com a antiga sede, em estilo colonial, que abriga o restaurante Bodega.

Faça a digestão curtindo o visual hipnótico da Stark-Condé (stark-conde.co.za), cujo espaço de degustação fica em meio a um lago que reflete as montanhas dos arredores. Fechando o dia em alto estilo, jante no Overture (bertusbasson.com), do chef Bertus Basson, uma celebridade sul-africana – chegue no fim da tarde para curtir a vista e o (épico!) pôr do sol.

Entre uvas e artes

Algumas das vinícolas mais cinematográficas da região ficam na Helshoogt Road, que leva até Franschhoek. À medida que a estrada vai ganhando altura, as vistas para as Hottentots-Holland Mountains, em forma de eletrocardiograma, obrigam a paradas fotográficas.

O ponto alto é a visita à Delaire Graff (delaire.co.za), onde um jardim repleto de esculturas torna o visual ainda mais espetacular. Outra que combina visual, obras de arte e arquitetura é a Tokara (tokara.com), logo em frente. Já chegando a Franschhoek, a Boschendal (boschendal.com) é mais um lugar encantador, com um enorme jardim onde é possível fazer piquenique.

QG dos franceses que se estabeleceram na África do Sul a partir do século 17 (contribuindo para um salto de qualidade do vinho), Franschhoek é considerada a capital gastronômica da África do Sul. Em meros quarteirões, a Huguenote Road concentra alguns dos melhores restaurantes do país, como o La Petit Colombe (lapetitecolombe.com) e o Le Coin Français (lecoinfrancais.co.za).

Num raio de poucos quilômetros dali, a lista de vinícolas que valem ser vistas também é longa. Não dá para perder a vista da Haute Cabrière (cabriere.co.za) ou da Dieu Donne (dieudonnevineyards.com) e a elegância da Grande Provence (grandeprovence.co.za) e da Le Lude (lelude.co.za).

Todas têm bons restaurantes. Para não beber e dirigir, o Wine Tram (winetram.co.za) é assim de fácil: você sobe e desce onde quiser. Difícil, certamente, será decidir onde almoçar.