/Por Stéphane Kaloudoff

No último mês de novembro, passei dez dias na África do Sul – meio férias, meio trabalho. Descobri um país mítico, ou melhor, um continente mítico: é tanta beleza natural e, para minha surpresa, uma enorme riqueza de cultura vinícola.

Os sul-africanos produzem vinho desde 1659, quatro anos depois da plantação do primeiro vinhedo, em 1655, na Cidade do Cabo. Hoje, está entre os dez maiores produtores mundiais de vinho (ocupando a nona posição do ranking, atrás da Alemanha e antes da China).

Minha viagem começou com um workshop de três dias, na região de Stellenbosch, no maravilhoso vinhedo de Lanzerac – fundado em 1692 e localizado no vale idílico de Jonkershoek.

Com a participação de vários clubes de vinhos internacionais, nosso anfitrião, o clube sul-africano Wines of the Month, organizou várias visitas durante a estada, inclusive na loja física da marca – onde fizemos uma degustação.

A Associação Wines of South Africa promoveu uma palestra sobre a indústria do vinho no país. Resumindo: o setor reúne mais de 2.800 produtores, em uma área de 93 hectares, e emprega mais de 300 mil pessoas em toda a cadeia de produção (que atingiu 960 milhões de litros em 2018). Impressiona a importância da vitivinicultura no desenvolvimento sociodemográfico do país.

A “nação arco-íris” desenvolveu, na década de 1990, o programa Black Economic Empowerment (BEE), uma série de incentivos que davam a negros africanos o acesso às propriedades rurais. Atualmente, existem 53 fazendas BEE – e outras 55 empresas afro-africanas estão envolvidas na cadeia, como marcas de vinho, armazéns, engarrafamento e turismo.

Jantei com André Morgenthal, diretor do Old Vine Project, um projeto que incentiva os produtores a preservar as vinhas velhas do país (algumas têm mais de 100 anos). Ali, degustamos algumas das uvas mais famosas da África do Sul: um Silwervis (feito de chenin blanc de um vinhedo de 1964), um Roodekrantz (de cinsault, plantado em 1954), um Leeu Passant (cinsault, de 1932), um Allee Bleue (pinotage, plantado em 1976). Foi uma experiência culinária e enológica única.

Nosso CEO, Stéphane Kaloudoff, visitou a África do Sul para o encontro de uma associação mundial de clubes de vinho e conta o que viu por lá.

No terceiro dia, fomos para a região de Swartland (a 50 quilômetros ao norte da Cidade do Cabo) nos encontrar com alguns pequenos produtores. Numa paisagem predominantemente verde, comemos várias delícias da cozinha africana, em um clima de churrasco brasileiro, regadas com vinhos: vários tintos e brancos do Clos Malverne, da Fazenda Devon Valley, e outros elaborados pelo winemaker Adi Badenhorst, à base de cinsault.

O fim da viagem foi de lazer: ao lado de minha família, visitamos a reserva de Kapama, que faz parte do Parque Nacional Kruger. Além de descobrir a vida selvagem africana, tivemos a chance de degustar vários vinhos durante um safári! Que experiência fantástica!