/Por Rafael Tonon

Em um mercado cada vez mais concorrido, alguns produtores adotaram serviços inéditos (como restaurantes e enoturismo) e até apostaram em novas gamas de produtos para expandir o faturamento.

Aproveitando as terras férteis das propriedades, as vinícolas perceberam que criar outros produtos e ingredientes pode render outras fontes de renda e dispor melhor o potencial e as áreas de produção e cultivo de suas propriedades – por exemplo, onde não se pode plantar uvas ou até em tanques ociosos. A palavra de ordem é diversificação. Conheça a seguir algumas das fazendas que produzem os mais diversos tipos de produtos.

ENTRE UVAS E LÚPULO

QUEM | Quinta de La Rosa
O QUÊ | Cervejas
ONDE | Pinhão (POR)

Em uma das regiões vinícolas mais acachapantes do mundo, o vale do Douro, a quinta começou a dar forma à produção de outra bebida fermentada.

Ao conversar com um amigo que é mestre cervejeiro na Inglaterra, Sophia Bergqvist, uma das proprietárias da quinta, ficou curiosa com a informação de que muitos produtores de espumantes no país estavam estendendo seus negócios às cervejas.

O primeiro lançamento foi uma IPA, em 2017, que logo fez sucesso e mostrou que existia uma demanda dos consumidores por cervejas artesanais de qualidade. Em seguida, a quinta lançou dois outros rótulos cervejeiros, a La Rosa Lager e a La Rosa Stout, todas em pequenos lotes (com cerca de mil litros cada) e com certificação orgânica.

A produção segue os mesmos processos rigorosos dos vinhos, como fermentações controladas e estágio nas barricas, além de elas serem engarrafadas sem ser filtradas, o que as torna ainda mais delicadas e aromáticas.

OUTRO LÍQUIDO PRECIOSO

QUEM | Zuccardi
O QUÊ | Azeites
ONDE | Mendoza (ARG)

Uma das mais importantes vinícolas da Argentina também é reconhecida por produzir outras garrafas: azeites de variedades como farga, frantoio, manzanilla e arauco. E pouquíssimas unidades chegam ao mercado externo por enquanto.

“Existe o desafio para espalhar a percepção de qualidade, uma vez que o consumidor costuma associar o azeite à Itália ou à Espanha, por exemplo, desconhecendo o potencial de nossa região’’, explica Miguel Zuccardi, responsável pela produção.

Desde que começaram a empreitada, há pouco mais de uma década, a Zuccardi, porém, já foi reconhecida em premiações como o Concurso Internacional de Azeite de Nova York, um dos mais importantes do mercado mundial.

DA XÍCARA À TAÇA

QUEM | Guaspari
O QUÊ | Cafés especiais
ONDE | Espírito Santo do Pinhal (BRA)

A fazenda em que está localizada a vinícola, no interior de São Paulo, seguia a tradição da região: produzir grãos de arábica da Serra da Mantiqueira. Mas o espírito empreendedor dos proprietários os direcionou para testes com parreiras – que renderam bons vinhos – e, na sequência, com oliveiras de diversos tipos.

Mais recentemente, eles resgataram a tradição cafeeira da propriedade. “Por ser um café de altitude em solo granítico, ele também se beneficia do terroir, produzindo excelentes grãos”, afirma Marina Gonçalves, diretora da vinícola, que tem no portfólio o arara, um grão raro. “Também queremos testar torras diferentes para representar os tipos de cafés e terroirs diversos”, afirma.

DO ALENTEJO AO MUNDO

QUEM | Herdade do Esporão
O QUÊ | Mel, azeite etc.
ONDE | Reguengos de Monsaraz (POR)

No interior do Alentejo, a maior região vinícola de Portugal, o grupo se expandiu e incorporou outras propriedades e marcas ao portfólio, como a cervejaria Sovina.

Ao mesmo tempo, tem investido em suas raízes: há alguns anos, passou a produzir azeites a partir de azeitonas alentejanas. Mais recentemente, começou a vender o Mel de Rosmaninho, de dois apiários com quase 70 colmeias.

Diversidade de produtos, aliás, é parte da filosofia da empresa, que hoje cultiva mais de 60% dos ingredientes que serve no restaurante da Herdade. “É uma forma de valorizar toda a propriedade e termos a sensibilidade de tentar aproveitar o máximo cada ingrediente”, explica Joana Vieira, diretora de comunicação.

ORGULHO NAPOLETANO

QUEM | Sorrentino
O QUÊ | Tomate, azeite e geleias
ONDE | Nápoles (ITA)

Aos pés do vulcão Vesúvio, desde 1953, a família Sorrentino planta parreiras de variedades nativas, como coda di volpe, aglianico e piedirosso. Com o tempo, outras culturas passaram a ser cultivadas: albicocca, o dulcíssimo damasco local; oliveiras; e tomates.

Esse último, aliás, é o pomodorino piennolo del Vesuvio, um tipo que se diferencia pelo sabor adocicado e acidulado. “Ele é típico e nativo da área vesuviana, com uma produção muito baixa. Por isso, pouca gente o conhece fora da região”, explica Giuseppe Sorrentino.

Os Sorrentino também lançaram o azeite Olio di Oliva Extravergine Donn’Angela e a geleia de albicocca – essa só mesmo para quem visita a propriedade, com vista para o Golfo de Sorrento.