/Por Kamille Viola

Ele estourou como cantor e compositor nos anos 1980, mas não parou por aí. Leo Jaime é também jornalista por formação – assinou diversas colunas em jornais e revistas –, já foi apresentador de rádio e de TV e revelou um novo talento ao vencer o quadro “Dança dos Famosos”, do programa Domingão do Faustão (TV Globo).

Longe dos holofotes, ele também é conhecido pelo gosto da boa mesa: nas redes sociais, Leo Jaime compartilha algumas de suas incursões em restaurantes no Brasil e no exterior, além de mostrar seu lado mestre-cuca. “A criançada fala que a lasanha à bolonhesa do tio Leo é a melhor do mundo”, diverte-se.

O interesse pela cozinha foi despertado aos 6 anos, ainda em Goiás, onde nasceu. Filho de pais separados, morava com a mãe, a tia e a avó em Goiânia, mas nenhuma delas cozinhava. Até que foi passar férias com os primos no interior do estado, em Anápolis, e viu um chef polonês em ação na casa deles.

“Era um cara que tinha vindo para o Brasil na Segunda Guerra, fugindo do nazismo. Ele ia cozinhar na casa das pessoas. Eu o vi trabalhando algumas vezes e fiquei encantado com aquilo”, recorda. “Até me lembro de, nesse mesmo período, brincar com os primos: ‘Vamos fazer um arroz’. E a gente fazia uma fogueirinha, pegava uma panela emprestada e ia aprendendo os macetes, esse tipo de brincadeira de culinária.”

Os sabores da infância são ainda os preferidos dele, mas assume que tem uma queda a mais pela cozinha italiana. Já os primeiros contatos com o vinho não foram tão bem-sucedidos: ele se lembra de provar o infame “vinho branco alemão de garrafa azul” e os de garrafão – sem sucesso.

Em sua primeira viagem ao exterior, combinou de se encontrar em Paris com artistas de sua geração, como Leoni, Herbert Vianna e Paula Toller. Era a moda do Beaujolais Nouveau, mas o vinho ainda não “bateu” para ele. Lá pela metade dos anos 1990 é que ele foi finalmente encontrar algo que combinasse com seu gosto.

“Acho que foi em 1995 que o Michel Rolland foi para Buenos Aires, começou a fazer vinhos lá com a Catena Zapata. Provei um, que foi o que eu tomei depois em minha lua de mel, Saint Felicien, um cabernet sauvignon excelente”, lembra.

Demorou, mas deu match

Leo Jaime tinha por volta de 35 anos quando descobriu que o vinho era a bebida da vida dele. O Brasil tinha acabado de abrir as importações, o consumo começava a se popularizar por aqui e ele pôde incrementar o repertório.

“Passei a pesquisar e virei um habitué. Experimentei muita coisa. Nunca fiz curso, mas fui descobrindo o que me agradava e tomando gosto. Fui provando: ‘Ah, vou tomar um vinho da Áustria, outro do Líbano’. Tive boas e gratas surpresas”, explica.

E lá se vão mais de duas décadas de litragem. “Hoje me sinto mais à vontade. Ainda faço um pouco de experimentação. Mas o consumo em casa, básico, é de francês”, diz.

Ele brinca que prefere nem conhecer o sabor de vinhos caros, porque não é algo que possa consumir com frequência. “Beber vinhos gastando muito qualquer um bebe. Eu prefiro o custo-benefício. Até porque o vinho para mim é uma coisa cotidiana. É alimento. Não que eu beba muito, mas uma taça no jantar é sempre bem-vinda”, garante ele, que é fã dos tintos.

“Gosto muito do Côtes du Rhône, do Bordeaux, que são os médios, gosto daqueles Lalande-de-Pomerol, do sudoeste da França, dos franceses de uma forma geral.

Tomei um Barolo com meu pai um dia desses que foi uma coisa espetacular, mas é daquela categoria que a gente prefere não conhecer: seu pai que abre, aí você bebe. Para ser um hábito, não pode ser algo caro”, compara.

Combo entre talheres

Amigo da chef Roberta Sudbrack – até já deu uma mãozinha na cozinha do finado RS e criou um sanduíche para o Da Roberta, que também fechou as portas –, ele elogia uma tendência atual da gastronomia brasileira: a busca pela boa culinária em formato mais simples, sem ambientes caríssimos nem formais demais.

Ele cita como exemplos bem-sucedidos o Sud, o Pássaro Verde, de Sudbrack, e o Chez Claude, de Claude Troisgros, ambos no Rio, e a Casa do Porco, de Jefferson Rueda, em São Paulo.

“É muito emblemático disso que estou falando o fato de que ele seja o melhor restaurante brasileiro no olhar internacional. Você chega lá com 50 pratas e come bem, não vai sair com fome. É democrático, vive entupido, todo tipo de gente vai. O atendimento é bom, mas não é tenso, não é tão formal. A carne de porco é um ingrediente barato. Isso tudo faz com que seja um lugar acessível, mas não perca o padrão de excelência, de criatividade”, elogia.

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