/ Por Tânia Nogueira

Há décadas se fala dos benefícios do vinho para a saúde, principalmente para o sistema cardiovascular, mas também para prevenir o Alzheimer. Não foram poucos os estudos científicos publicados nas últimas três décadas que apontaram a ligação entre a ingestão de polifenóis contidos no vinho, como resveratrol e os flavonóides, e a redução nas chances de se desenvolver demência. 

O problema com a maior parte desses trabalhos, no entanto, é que eles eram feitos com concentrados dessas substâncias em níveis muito superiores aos encontrados em uma taça ou mesmo uma garrafa de vinho.

Em alguns casos, segundo artigo publicado na revista americana Psychology Today, as doses equivaliam a 5 litros de vinho por dia. Os estudos, por outro lado, duravam um curto período de tempo.

Então, muitos médicos apostavam na hipótese de que o consumo de doses menores por um longo período de tempo pudessem ter um efeito semelhante. Assim, recomendavam o consumo de uma taça diária, para as mulheres, e duas taças, para os homens. Por que essa dose? Porque álcool em quantidades maiores causa vários prejuízos, inclusive para o cérebro.

Dois estudos recentes, publicados este ano, mostram que eles estavam certos. Ambos acompanharam a dieta de um grupo de pessoas por muitos anos para investigar o efeito dos flavonoides e indicam que essas substâncias ajudam, sim, a prevenir o desenvolvimento do mal de Alzheimer.

Em fevereiro, resultados parciais uma pesquisa em andamento da Universidade Rush, de Chicago, publicada na revista Neurology, mostrou que uma maior ingestão de flavonoides, encontrados em frutas, vegetais e vinho, estava associada a um menor risco de desenvolver demência. 

O estudo analisou dados do Rush Memory and Aging Project (MAP), um projeto que avalia a relação da dieta e da saúde de 921 participantes desde 2004. Desses 220 acabaram desenvolvendo Alzheimer.

Nesses 16 anos, foi medida a ingestão de diversos flavonoides, entre eles isorhamnetina e miricetina, encontrados no vinho. Chegou-se à conclusão que ambos reduzem o risco de desenvolver Alzheimer em 38%. Mas é bom lembrar que o kaempferol, presente no chá, no feijão, no brócolis, na couve e no espinafre, tem um benefício ainda maior, de 51%.

O segundo estudo, publicado em maio pelo The American Journal of Clinical Nutrition, analisou dados do Framingham Heart Study (FHS), um projeto do Centro de Pesquisa em Nutrição Humana Jean Mayer da Universidade Tufts, em Boston.

Ao longo de 20 anos, os pesquisadores examinaram hábitos alimentares, incluindo o consumo de flavonoides, de 2.800 participantes, dos quais 158 acabaram desenvolvendo a doença de Alzheimer.

O estudo focou em seis tipos de flavonoides, entre eles, a antocianina, que dá cor aos vinhos tintos. O estudo apontou que aqueles com baixa ingestão de antocianinas tiveram quatro vezes mais chances de desenvolver Alzheimer e demências relacionadas em comparação com aqueles com alta ingestão. Beber suco de uva, comer uva e outras frutas vermelhas também traz bons resultados. Brindemos a isso!

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