/Por Stéphane Kaloudoff

Uma vinha pode ser comparada a um ser humano. Quando muito novo, entre quatro e oito anos, tem o charme da juventude e dá origem a vinhos geralmente leves e cheios de frescura.

Entre oito e 14 anos, ela entra na fase de “crise de adolescência” e cresce de maneira desorganizada, com um vigor e um rendimento capazes de enlouquecer um enólogo – e é nesse momento que começa o trabalho de maestria dele, domando essa energia e evitando que as uvas sejam produzidas em larga escala, fracas e sem personalidade. Só depois ela entra na maturidade e se torna adulta.

Com o passar dos anos, as raízes da videira crescem profundamente em busca de elementos nutritivos, o que resulta em uvas concentradas, ricas em aromas e com bom equilíbrio entre acidez e açúcar (que vai se transformar em álcool). Esses efeitos são reforçados com a diminuição dos rendimentos de uma vinha mais antiga e isso, na maioria das vezes, reflete-se em um vinho aromático e concentrado.

Portanto, é legítimo escutar um produtor reivindicar a menção de “velhas vinhas”, porque é um selo de qualidade. O único problema é que não existe uma regra oficial. Consequentemente, existem muitos abusos e marketing atrás desse conceito.

Na realidade, o envelhecimento é relativo

Além da cronologia, alguns fatores são determinantes para validar a idade, como a variedade de uva (cepas) e a região de cultivo (terroir). O tratamento que a vinha recebe também influencia a longevidade: um vinhedo que gera altos rendimentos muitos anos consecutivos vai envelhecer mais rápido, assim como se for submetido à colheita mecânica – quando comparado à colheita manual.

Sem contar que, como qualquer ser humano, algumas vinhas amadurecem mais rapidamente que outras, naturalmente. O que normalmente é aceito no mundo do vinho:

1) uma vinha é considerada velha quando tem mais de 40 anos;

2) é mais importante que a vinha tenha boa saúde do que muitos anos
de vida;

3) não é regra que toda vinha velha produza um vinho bom;

4) rótulos de boas safras de vinhas velhas custam mais caro, pois o rendimento é baixo – é matemático;

5) de modo geral, são vinhos mais concentrados e aromáticos;6) não existe uma regra oficial para definir uma vinha velha. Quer dizer,
seja curioso, pergunte e analise o rótulo antes de comprar.

Por fim, não posso terminar este texto sem me lembrar de um jantar de que participei em Stellenbosch, na África do Sul. Foi no De Volkskombuis Restaurant, em companhia da turma de winehunters da Vinoselección e de André Morgenthal, diretor da Old Vines Project – uma associação sul africana que criou um selo para qualificar as vinhas velhas, que naquele país são aquelas com mais 35 anos de idade.

Provei sete vinhos na ocasião, cuja vinha mais antiga tinha 88 anos e a mais jovem, 42 anos. Fiquei bastante emocionado com aquele momento, naquele lugar, por beber um vinho cuja “mãe” era tão experiente. Essa é a magia do vinho.

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