/Por Tânia Nogueira

Existem mais de 15 mil produtores de uvas na região francesa de Champagne, mas, até pouco tempo atrás, só meia dúzia de rótulos eram conhecidos no mundo.

Apenas os champanhes das grandes maisons. Isso está mudando. Pequenos e médios produtores têm aparecido mais e mais. Boa parte desse novo destaque se deve ao movimento de valorização do chamado “champagne de vigneron” (champanhe de vinhateiro). 

As grandes maisons têm alguns vinhedos próprias, mas na maioria compram uvas dos pequenos produtores agrícolas para produzir seus best sellers.

Casas como a Veuve Clicquot Ponsardin ou a Moët & Chandon buscam que seus champanhes de entrada tenham o mesmo perfil sensorial ano após ano. Para tanto, misturam centenas de vinhos-base, de diferentes anos. Por isso, esses champanhes não têm safra. São rótulos padronizados, sempre iguais. 

Essas vinícolas têm também as chamadas cuvée prestige, rótulos superiores, advindos de vinhedos especiais (premier cru ou grand cru) e safrados, como o Dom Pérignon (Moët & Chandon) e La Grande Dame (Veuve Clicquot). Porém elas custam acima de mil reais. 

Pequenos e médios produtores oferecem produtos especiais, vintages ou rótulos provenientes de vinhedos premier cru ou grand cru, a preços mais acessíveis.

O movimento dos vinhateiros foi fundado em 2001 e mudou bastante o cenário de Champagne. Muitos jovens, cujos pais só plantavam uva, começaram a produzir seus próprios rótulos com o ânimo e o intuito de fazer o melhor. Ganharam muito prestígio.

Em 2012, foi aberta uma loja no badalado bairro de Saint-Germain-des-Prés dedicada só a rótulos de pequenos produtores da região de Champagne, a Les Dilettantes, na Rue de Savoie.

No Brasil, também já se pode encontrar “champagnes de vigneron”. A importadora Anima Vinum, em Moema, São Paulo, por exemplo, tem uma bela coleção deles à venda. 

Em breve, quem não quiser ficar preso no milênio passado em termos de champanhe terá de provar alguns rótulos dos pequenos e médios. Isso é seguro.

Experimente

Champagne Jm. Gobillard & Fils Brut Grande Reserve Premier Cru – Este é um médio produtor. O rótulo é feito a partir de uvas provenientes só de vinhedos premier cru. Um corte de chardonnay, pinot noir e pinot meunier. Custa R$ 775,00 para não sócios da Sociedade da Mesa.

Pierre Gerbais L’Originale – Pequeno produtor independente. O L’Originale, do Pierre Gerbais, é bastante diferente do champanhe padrão. É produzido com 100% de pinot blanc, uma das outras uvas permitidas em Champagne, mas pouco usadas. Custa R$ 795,00, na Anima Vinum.