Uma das regiões vinícolas francesas menos conhecidas do consumidor internacional, o sudoeste (sud-ouest) da França começa a chamar a atenção por oferecer qualidade e bom preço.

O local é, na verdade, o quarto maior do país em área plantada: são 47 mil hectares de vinhedos não contínuos, distribuídos por 13 departamentos, 29 A.O.P.s (Apelação de Origem Protegida) e 13 I.G.P.s (In- dicação Geográfica Protegida).

Ilhas espalhadas por uma vasta área muito verde, que tem como limites Bordeaux ao norte, a Espanha ao sul, o Atlântico a oeste e o maciço central a leste.

“Apesar de ter sido preterido por séculos, por causa do sucesso da vizinha Bordeaux, o sudoeste tem vinhos muito interessantes a se descobrir”, diz Maria Emília Atala, sommelière do restaurante Evvai, de São Paulo. “Nas áreas mais próximas a Bordeaux, as uvas, os cortes e o estilo são semelhantes aos bordaleses. Mas, mais ao sul, existem várias castas autóctones (nativas) pouco comuns. O sudoeste tem uma grande diversidade.”

São mais de 130 castas autóctones na região, sendo que algumas delas têm nomes conhecidos do público, como merlot ou sauvignon blanc. Outras nem tanto, como a tinta abouriou ou a branca lauzet.

A região do Sud-Ouest da França sai da sombra de Bordeaux e ganha relevância no mercado de vinhos_Sociedade da Mesa
Crédito: Divulgação

Famosas por suas performances na América do Sul, a malbec e a tannat são originárias do sudoeste da França e, com o sucesso na Argentina e no Uruguai, ajudaram a chamar a atenção para essa parte do país.

A malbec – ou côt, como é conhecida por lá – vem de Cahors, a capital do departamento de Lot, a leste de Bordeaux. O município, que fica entre os Rios Dordogne e Garrone, os mesmos que se juntam para formar o Gironde na altura do Médoc, é também uma A.O.P.

Já a tannat vem de Madiran, uma A.O.P. mais próxima da Espanha. Ambas as microrregiões já foram muito famosas na Europa pela qualidade de seus vinhos.

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ORIGEM HISTÓRICA

Os romanos foram os primeiros a plantar vinhas no sudoeste francês, que na época ocupava boa parte do território conhecido como Aquitânia. Achados arqueológicos sugerem que o vinho negro (referência ao tom escuro da malbec) de Cahors já era famoso.

Os registros sobre a viticultura em Mandiran são mais recentes. No século 11, monges beneditinos fundaram a Abadia de Madiran na rota dos peregrinos entre Aire-sur-l’Adour e Lescar, parte do Caminho de Santiago. E passaram a produzir vinho para atender os peregrinos.

Em 1152, o casamento da princesa Eleonor de Aquitânia com o príncipe Henry Plantagenet, futuro rei Henry II da Inglaterra, trouxe sucesso para a região ao abrir as portas do comércio com o Reino Unido. Parte da produção escoava pelo porto de Bordeaux.

Essa foi a armadilha: enquanto os vinhos bordaleses se estruturavam, no século 13, surgiram leis protecionistas que estrangularam os vizinhos. Os vinhos do sudoeste só podiam ser embarcados depois que a safra de Bordeaux fosse vendida. Isso arrasou a indústria vitivinícola dali.

Depois da Revolução Francesa, no fim do século 18, o porto de Bordeaux “se reabriu” para os vizinhos, mas era tarde. O sudoeste já estava bastante atrasado em relação a outras áreas produtoras. “Além de tudo, a região tem uma geografia bastante acidentada”, conta Stéphane Kaloudoff, CEO da Sociedade da Mesa.

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DEMARCAÇÃO GEOGRÁFICA

A área vinícola do sudoeste da França se divide em quatro sub-regiões. Dordogne e Bergerac (essa última é a A.O.P. mais famosa) têm clima parecido com o de Bordeaux e produzem vinhos de estilo pró-ximo ao bordalês.

Garonne, mais centralizada e onde está Cahors, é um pouco mais quente do que Bordeaux – daí o equilíbrio dos vinhos, cujas uvas são colhidas com um grau de maturação mais perto do ideal. Gasconha é mais fria e próxima do Atlântico, onde está Madiran e sua tannat, mas também é conhecida pelos vinhos brancos – especialmente os de Jurançon, que podem ser secos ou doces.

Já na sub-região dos Pirineus, que coincide geograficamente com o país basco francês, os vinhos são mais rústicos, feitos de castas autóctones. “Por muito tempo, o sudoeste focou na produção de grandes quantidades a bons preços”, diz Kaloudoff. Mas sempre existiram pontos de excelência, como Jurançon, Cahors, Bergerac.

E, nos últimos anos, a região tem investido ainda mais em qualidade. “Mesmo assim, de maneira geral, esses vinhos são menos valorizados do que os de Bordeaux.” Então, são uma boa compra.

VINHOS SURPREENDENTES

Aromas e sabores que trazem boas surpresas

Vinho Branco Cuvée Jean Paul 2016_Sociedade da Mesa


Cuvée Jean Paul Branco 2016
Um corte de colombard e ugni blanc, este branco da Gasconha chama a atenção pelo frescor de nariz e boca. Tem aromas de frutas brancas e algo de mineral. Na boca, a acidez pede comida.

Vinho Tinto Le Dropt Merlot 2015_Sociedade da Mesa


Le Dropt Merlot 2015 Apesar de ser I.G.P. Atlantique, foi feito em Bergerac. Não leva o nome Bergerac por não seguir todas as normas da denominação. Um vinho jovem, fácil de beber, sem passagem por madeira.

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