/Por Tânia Nogueira

Já ouviu alguém devolver um vinho dizendo que ele estava com brett? Ou leu alguma crítica na qual o autor descrevia um vinho com entusiasmo e, no meio, dizia: “tem um toque de brett”? Afinal brett é um defeito ou uma qualidade? Depende. Há quem ame, quem odeie e quem tolere.

A Brettanomyces bruxellensis é uma levedura encontrada nas cascas das frutas (inclusive uvas) que se espalha com facilidade por ambientes úmidos, como costuma ser o caso de uma vinícola. Uma vez instalada nos equipamentos, ela participa da formação do vinho. 

Tem a propriedade de produzir ácido acético (vinagre) e uma série de aromas que vão dos agradáveis couro, defumado e terra, aos menos aceitos como estábulo, cavalo suado, cachorro molhado. 

Se o grau for alto, ela não só produz aromas negativos como também mata os aromas originais do vinho, além de avinagrá-lo. Mas hoje, com a moda dos vinhos naturais, muitos produtores gostam de trabalhar com um certo grau de brett nos seus vinhos. Acreditam que ele traz personalidade. 

Durante séculos os vinhateiros conviveram com a brett. Em Bordeaux, ainda há quem a considere uma marca do terroir. Mas a partir dos anos 1970, principalmente com a entrada dos Estados Unidos e da Austrália no mercado internacional de vinhos, a brett passou a ser considerada um defeito próprio de vinícolas sujas, pois a melhor forma de combatê-la é uma higiene extrema nas instalações. Isso hoje isso está sendo revisto, como tem acontecido com quase tudo na forma de se fazer vinhos.

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