/Por Marjorie Zoppei

Enólogo pela Universidade Católica do Chile, ele tem uma trajetória de sucesso na Viña Concha y Toro. No papel de direto técnico, está à frente da linha Casillero del Diablo desde 1998.

No ano seguinte, assumiu também uma das marcas mais prestigiadas e tradicionais do país: a Marques de Casa Concha. Papa foi responsável pelas melhorias técnicas da vinha, o que aumentou significativamente a qualidade exprimida nas garrafas.

Um de seus maiores projetos é o Maycas del Limarí, vinícola-butique que lidera desde a fundação em 2005, localizada no Vale do Limarí – uma região com potencial para as cepas clássicas da Borgonha, como a chardonnay.

Eleito o enólogo do ano pelo Chile Special Report do jornalista britânico Tim Atkin, em 2019, Papa tem o apreço e o respeito de importantes críticos internacionais. Não foram poucas as vezes que foi ressaltado por produzir vinhos de personalidade, além de angariar pontuações altas de especialistas como Robert Parker e James Suckling.

Vendido em quase 150 países, com mais de 60 milhões de garrafas por ano, o que você acredita ser o segredo de tanto sucesso da Casillero del Diablo?

Em primeiro lugar, a qualidade de nossos vinhos, sem dúvida. Sem qualidade, seria impossível chegar aonde estamos hoje, pois essa qualidade se traduz na confiança que a marca gera nos consumidores. Somado a isso, há um forte trabalho de desenvolvimento da marca, com um posicionamento claro e reconhecido globalmente, o qual comunicamos a poderosas campanhas de marketing. Isso nos permitiu ser uma marca com um dos mais altos níveis de penetração do setor. Outro aspecto fundamental foi o apoio permanente de nossos escritórios e distribuidores no exterior, que nos permite alcançar milhões de consumidores em todo o mundo diariamente.

Ao mesmo tempo que é tão popular, há também gente com preconceito da marca. Como vocês atuam para driblar essa discriminação?

A Casillero del Diablo é uma marca que foi construída ao longo do tempo, uma marca que é realmente preferida por milhões de consumidores no mundo, com uma imagem excelente, sendo reconhecida tanto por sua qualidade quanto por seu histórico. Esses atributos cativaram nossos consumidores brasileiros, o que nos levou a nos posicionarmos como a marca de vinhos mais vendida no Brasil no segmento premium, de acordo com a Nielsen.

Os vinhos da Casillero nasceram com o propósito de exportação?

A Casillero del Diablo nasceu em meados da década de 1960 com sua primeira variedade: cabernet sauvignon. Essas primeiras remessas foram comercializadas localmente, para começar imediatamente a serem exportadas para os mercados latino-americanos no fim da década de 1960, com grande êxito. Em 1970, passaram a ser feitas as primeiras exportações para a Europa, um continente que começaria a ganhar cada vez mais relevância para a Casillero del Diablo até os dias de hoje. Casillero del Diablo nasceu com a vocação de uma marca chilena que quer mostrar a qualidade de seus vinhos em todo o mundo.

Qual é a relevância do Brasil nesse mercado?

Sem dúvida, o Brasil é um dos grandes mercados mundiais para empresas de consumo, não só para a Casillero del Diablo. Está entre os cinco principais mercados mais relevantes para a marca.

Além da Casillero, você está à frente da elaboração dos vinhos da Marques de Casa Concha. Qual é a diferença na proposta dessas duas marcas?

Marques de Casa Concha se posiciona como uma das marcas mais fortes do segmento super premium, sob os conceitos de tradição, inovação e diversidade. Há um trabalho muito poderoso para encontrar a melhor origem para cada uma de suas variedades. O mais importante é fazer os vinhos que você considera honestos, que têm uma proposta.

Apesar de a carménère ser a uva-símbolo do Chile, o país tem se destacado pelos rótulos de chardonnay. Ao que você credita esse reconhecimento?

A incrível diversidade de solos e climas presentes no Chile permite o desenvolvimento constante de novas áreas, variedades e estilos. A vinícola direcionou o foco para Limarí para o cultivo dessa cepa. Não há melhor terroir para o que estamos tentando oferecer nos vinhos: identidade do terroir. Lançamos o Amelia Chardonnay, também de Limarí, que já está em sua segunda colheita e recebeu o reconhecimento dos principais críticos de vinho do mundo, incluindo o de melhor chardonnay do Chile.

De que forma a pandemia afetou o trabalho da vinícola?

Desde o início da crise sanitária, foi realizado um plano de contingência para dar continuidade ao processo produtivo. Isso permitiu que a vindima da safra de 2020 funcionasse perfeitamente desde meados de fevereiro e agora está quase completa. As atividades de vinificação, armazenamento e embalagem nesses meses foram realizadas de acordo com o planejado, e as atividades logísticas para levar os produtos aos consumidores não sofreram interrupções. Os departamentos comerciais seguem muito ativos para continuar gerando vendas.

Para o consumo do vinho, de certa forma, essa crise acabou sendo positiva?

Enfrentamos um cenário de muita incerteza. No entanto, nossa empresa tem uma base sólida, que está bastante focada em seguir com o planejamento e se esforçando para sair dessa crise fortalecida.

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