/Por Tânia Nogueira

Os grandes vinhos brasileiros da safra de 2018, considerada uma das melhores safras da história do Brasil, estão chegando este ano ao mercado. Eles trazem uma novidade. Muitos deles têm escrito no rótulo “vinho nobre”. O que quer dizer isso? Quer dizer que o seu teor alcoólico ficou acima dos 14⁰.  

E por que é novidade? Porque antes um vinho fino não podia ter mais de 14⁰ de teor alcoólico. Rótulos que ultrapassassem esse volume de álcool eram classificados como vinhos licorosos.

Como essa classificação, que não traduzia em nada o caráter de vinhos secos muito alcoólicos, espantava o consumidor, era comum os produtores darem um jeito para se manterem nos limites dos 14⁰. 

“A gente era obrigado a misturar o conteúdo de tanques ou barricas muito especiais, que tinham rendido vinhos mais alcoólicos, com outros lotes de teor mais baixo e, nem sempre, da mesma qualidade”, explica Adriano Miolo, enólogo e superintendente do grupo Miolo, que lançou a coleção Os Sete Lendários 2018 com todos os seus vinhos ícones.

Todos com mais de 15⁰. Todos classificados como nobres. Isso foi possível porque a Instrução Normativa n.o 14, de 8 de fevereiro de 2018 criou a figura do “vinho nobre”, fermentado de uva Vitis vinifera com teor alcóolico entre 14,1⁰ e 16⁰ em volume. 

Em 2018, no período da maturação das uvas, as noites foram frescas e os dias mais quentes. Com isso, além de cor e aroma, a uva concentrou açúcar. Mais açúcar no momento da colheita costuma resultar em vinhos com um teor alcoólico mais alto.

Não é sempre que acontece, mas no Brasil não são tão raras as vezes em que naturalmente a fermentação resulta em vinhos com 15⁰ ou mais. “É natural”, diz Miolo. “É o terroir. Agora, felizmente, podemos aproveitar todo o seu potencial.”

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