/Por Ana Beatriz Miranda

Chianti é um estilo de vinho clássico da Itália. Se quando pensamos nessa bebida, o “país da bota” é um dos primeiros produtores a ser lembrados, quando o assunto é vinho italiano, o Chianti tem grande destaque. Além de nomear o estilo da bebida, também é uma região cheia de denominações de origem específicas, localizada no coração da Toscana. Ela fica entre Florença, Siena e Arezzo e é um local pitoresco e bucólico, com colinas verdejantes de encher os olhos.

História e DOCG Chianti

A história vitivinícola desse símbolo italiano é antiga. Tanto que as primeiras citações ao vinho remontam ao longínquo fim do século 14. A possível primeira demarcação ocorreu no século 18, sendo expandida até 1967. E não parou por aí.

Em 1927, foi fundado o Consorzio Vino Chianti, que estabeleceu as regras de elaboração do vinho. Com o surgimento dos Supertoscanos, os “fora da lei” que não seguiam as especificações de produção e fizeram muito sucesso a partir do fim dos anos 60, os Chianti tiveram que se reinventar. Tanto que, em 1984, a denominação foi elevada à mais alta categoria da Itália, Denominação de Origem Controlada e Garantida. 

São sete as microrregiões produtoras com várias regras de vinificação e amadurecimento: Chianti Colli Aretini, Chianti Colli Fiorentini, Chianti Colli Senesi, Chianti Colline Pisane, Chianti Montalbano, Chianti Montespertoli e Chianti Rufina. Nelas, as uvas autorizadas são majoritariamente a Sangiovese, que deve compor 70% do vinho, minimamente.

Tradicionalmente, a tinta Canaiolo complementa o restante, além de uma pequena porção das brancas Trebbiano ou Malvasia. As tintas Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc podem ser incluídas, desde que não ultrapassem 15% do total. Em 1996, Chianti Classico — a mais velha e famosa das denominações — se tornou uma DOCG separada, com regras específicas, como 80% de Sangiovese, no mínimo.

De forma geral, esses vinhos apresentam aromas e sabores bem concentrados de frutas vermelhas, com sobressalência de cereja, toque picante e acidez agradável, mas marcante. São exemplares ótimos para serem harmonizados, principalmente, com pratos típicos da Itália, como uma bela massa ao molho de tomates frescos ou um delicioso capeletti in brodo.

A lenda do gallo nero

Apenas os vinhos Chianti Classico ostentam uma etiqueta muito conhecida, com a imagem de um galo preto, gallo nero, em italiano. Reza a lenda que durante a Idade Média, a delimitação dos territórios de Florença e Siena foi feita de maneira curiosa. Um cavaleiro de cada cidade cavalgaria ao encontro do outro, assim que um galo previamente escolhido cantasse. O ponto de encontro seria, assim, a marcação do limite entre as duas cidades, pondo fim na disputa territorial.

Crédito: SHUTTERSTOCK.COM

Siena escolheu um galo forte e gordo, enquanto Florença, espertamente, optou por um galo preto magro que, faminto, cantou antes mesmo da alvorada. Então, o cavaleiro florentino cavalgou muito antes do sienense, conquistando muitos e muitos quilômetros a mais para Florença e o galo preto tornou-se símbolo de um dos vinhos mais célebres do mundo.  

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