/Por Rafael Tonon

Vinho e comida foram feitos um para o outro – aquele tipo de casamento que nem mesmo a mais longa das quarentenas é capaz de estragar. As vinícolas sabem muito bem disso e conhecem o crescente papel da gastronomia para atrair o interesse de visitantes além das garrafas.

Por isso, muitas têm investido em criar parcerias com chefs renomados para construir restaurantes que sirvam também como um cartão-postal de experiências enogastronômicas de reconhecimento mundial. Da Europa à América Latina, grandes grifes dos vinhos ostentam parcerias com estrelas Michelin, menus caprichados e ambientes embasbacantes (com as melhores vistas) para ter ainda mais atrativos na hora de fisgar os visitantes não só pela boca, mas também pelo estômago.

Com o crescimento do turismo gastronômico – e o recente boom de uma demanda por visitas a espaços abertos, conectados com a natureza –, essas vinícolas se tornaram prioridade nos planos de muita gente, que recebem os visitantes com os melhores vinhos na taça, claro!

Portugal (foto acima em destaque)

Vinícola: Quinta de Lemos | Restaurante: Mesa de Lemos | Região vinícola: Dão

O restaurante, comandado pelo chef Diogo Rocha, conquistou no ano passado uma estrela no Guia Michelin – a prova que “fora dos grandes eixos e centros urbanos se faz gastronomia com muita qualidade”, como ele diz. O espaço amplo feito de madeira e concreto, todo recoberto por vidros, é um atrativo à parte: é possível admirar as vinhas enquanto se provam pratos do menu degustação com acento de cozinha portuguesa e foco em produtos das regiões do país (dos Açores à Serra da Estrela). A harmonização de vinhos (40 euros) é imperdível!

Itália (foto abaixo)

Vinícola: Ceretto | Restaurante: Piazza Duomo | Região vinícola: Piemonte

Com a assinatura da família Ceretto, uma das mais importantes do Piemonte, o restaurante tem Enrico Crippa como chef, um dos mais talentosos da Itália. A parceria rendeu três estrelas Michelin ao Piazza Duomo, onde Crippa traduz na cozinha a filosofia familiar na garrafa: representar o melhor do terroir de Alba. Aproveitando os ingredientes ricos da região, da vitela aos vegetais biodinâmicos colhidos na própria fazenda, o chef prepara pratos minimalistas e elegantes e só usa ingredientes que venham de um raio de 50 quilômetros, como a carne Fassona, castanhas, cogumelos, coelhos e as famosas trufas brancas da Alba.

Uruguai (foto abaixo)

Vinícola: Bodega Garzón | Restaurante: El Garzón | Região vinícola: Maldonado

A estrela do restaurante é o fogo e o mestre, o argentino Francis Mallmann, conhecido pelos muitos tipos de cozimento que consegue a partir das chamas e das brasas. Amplos terraços com vista para as serras e o vinhedo são um convite para sentar e desfrutar sem pressa os pratos criados pelo chef celebridade, que vêm do fogão a lenha, do forno de barro ou da parrilla, a depender das técnicas. Dos vegetais assados às carnes bem preparadas, tudo é impecável. E ainda tem panqueca de doce de leite uruguaio para finalizar. E, óbvio, bom vinho pra arrematar tudo isso.

Nova Zelândia (foto abaixo)

Vinícola: Amisfield | Restaurante: Amisfield Bistro | Região vinícola: Otago

Num dramático edifício de pedras fica um dos mais conceituados restaurantes do país, no qual o chef Vaughan Mabee apresenta pratos com plantas comestíveis de seu entorno e embutidos que faz com as carnes de caças locais. Suas receitas levam o mais fresco de cada estação e têm refinamento para dar destaque aos ingredientes da Nova Zelândia, país onde o chef resolveu se estabelecer depois de trabalhar na Espanha e passar pelo premiado Noma, na Dinamarca. O teto de cobre, a vista para as vinhas e os vinhos na taça só tornam a experiência mais especial.

Áustria (foto abaixo)

Vinícola: Gut Oggau | Restaurante: Taubenkobel |Região vinícola: Burgenland

O que une a comida e o vinho aqui é uma família, a Eselböck. Eveline e Walter criaram o Taubenkobel como um espaço de hospitalidade: hotel e salão num lugar aconchegante e sofisticado – e reconhecido pelo Relais & Châteaux. Uma das filhas, Bárbara, casou-se com o chef Alain Weissgerber e resolveu remodelar o restaurante, que “serve tudo o que a natureza oferece”, das ervas selvagens dos prados e colinas ao redor do Lago Neusiedel às carnes de porcos e vacas criados no entorno, de uma maneira que hoje chamamos de “biológica”. A mesma palavra que descreve os vinhos produzidos pela outra filha, Stephanie, que, com o marido, Eduard, construiu uma das marcas mais cobiçadas pelos amantes de vinhos naturais, a Gut Oggau. Cinco minutos separam o restaurante da vinícola, mas na mesa toda a família se encontra. Sorte de quem está presente!

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