“Um tinto refinado, ao melhor estilo de Bordeaux”

Lucas Cordeiro

É sempre bom recordar a importância de Bordeaux para o mundo do vinho.

Quando apreciamos um vinho tinto (de qualquer parte do mundo) envasado numa garrafa de formato bordalês, elaborado ou não com o chamado “corte bordalês” (cabernet sauvignon, cabernet franc e merlot), ele traz referências implícitas dessa famosa região francesa.

É como se o vinho de Bordeaux fosse o próprio arquétipo de vinho, um eterno modelo a ser seguido.

Mas Bordeaux é uma região extensa, produz o equivalente a cerca de 680 milhões de garrafas ao ano – um verdadeiro mar de vinhos –, que vai dos mais simples e acessíveis aos grandes ícones

Nesta imensidão toda, precisamos de algumas pistas para saber que estamos degustando um vinho com boa qualidade, como no caso do nosso Château Haut Queyran Médoc Cru Bourgeois 2015.

Vou citar duas, começando pelo terroir:

  • este rótulo de vinhedos localizados um pouco acima de Saint-Estèphe, no Médoc, a chamada “margem esquerda de Bordeaux”.

Área conhecidamente adequada à variedade cabernet sauvignon, a qual compõe 60% do nosso vinho, dando estrutura e taninos vigorosos.

Os outros 40% são de merlot, que agrega flexibilidade e maciez.

  • A outra pista sobre a qualidade deste vinho é o fato dele ser um “Cru Bourgeois”.

Bordeaux tem alguns sistemas de classificação de vinhos.

O primeiro, lançado em 1855, criou a lista dos “Grand Cru Classés”, entre eles os lendários “Premier Cru Classés” (os Châteaux Margaux, Latour etc).

Com o tempo, outros sistemas foram criados, como o dos Cru Bourgeois.

O mais interessante desta classificação é que – diferente da rigidez dos Cru Classés que, desde 1855, tiveram apenas um vinho acrescentado – ela é revista de tempos em tempos, e tanto pode admitir novos vinhos quanto pode excluir vinhos já classificados.

Por fim, a família Demarchi, que elabora o Château Haut Queyran Médoc Cru Bourgeois 2015 em apenas 15 hectares de vinhedos, segue uma filosofia de expressão do terroir e deu ao vinho um perfil bordalês mais tradicional.

Ele é amadurecido em barris de carvalho francês por 12 meses, mas mantém a expressão das frutas e o frescor nos aromas, com boa intensidade.

Já a boca revela equilíbrio e elegância.

Exemplo da boa escola de Bordeaux.

Deguste e divirta-se!