/Por Tânia Nogueira

O agreste pernambucano surge como a mais nova região vinícola do Brasil. Na verdade, por enquanto, a zona ainda é um projeto de região produtora de vinhos finos. Até o fim do ano, no município de Garanhuns, deve ser inaugurada a primeira vinícola, a Vale das Colinas.

Em 2013, quando comprou a propriedade, o médico cearense Michel Moreira Leite queria apenas um lugar friozinho para morar com a família. Garanhuns, a terra dos índios cariris, é conhecida como a Suíça Pernambucana pelo seu clima frio de montanha. Só mais tarde, depois de fazer um curso de vinhos, começou a pensar em plantar uvas.

Para sua sorte, o mesmo clima que frio que o atraiu havia chamado atenção também dos pesquisadores da Embrapa. A região tem verões quentes, mas secos. No meio do ano, o tempo esfria e a precipitação aumenta. Os solos são arenosos e argilosos. Viram no agreste condições para o desenvolvimento de um possível pólo enoturístico

Sem saber disso Michel procurou a Embrapa de Petrolina, no sertão pernambucano, onde há uma região vinícola já bastante estabelecida. Ali ficou sabendo que havia um campo experimental, onde Embrapa Semiárido, o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) estavam fazendo testes com o cultivo de uvas viníferas.

O médico fez, então, uma parceria com os órgãos públicos e começou a implantar os vinhedos. No meio deles, auto-falantes tocam música clássica, “para as videiras não esquecerem sua origem europeia”, e baião e frevo “para firmarem suas raízes nordestinas”. A ideia é construir ali também um complexo turístico com restaurante e chalés para hospedagem.

A primeira vindima aconteceu no início de 2020 e os primeiros rótulos devem estar prontos para a inauguração. Serão o malbec Dona Elisa, o cabernet sauvignon Cabana do Vale e o muscat blanc à petit grains Dona Cecília. Foram vinificadas 5 mil garrafas em Petrolina, mas os planos são de construir uma estrutura industrial para a vinícola já para a safra de 2021. As videiras ainda são muito jovens e os vinhos ainda devem evoluir nas próximas safras. Vale acompanhar!

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