/Por Tânia Nogueira

Anos depois de sair da escola, numa bela tarde, você entra num empório para comprar um vinho. Pega a garrafa. Olha o contrarrótulo. E eis que está escrito: “Contém dióxido de enxofre” ou “Contém anidrido sulfuroso”. Às vezes, o próprio rótulo ostenta: “Sem SO₂”.

E você, que só queria beber, se vê envolvido com uma fórmula química. Pois é, entender de vinho envolve uma série de conhecimentos: história, geografia, biologia e… química. Pelo menos um pouco de química é bom lembrar, se quiser compreender um mínimo do que vem escrito nos rótulos e fichas técnicas.

Todos os termos acima se referem a uma mesma substância, cuja molécula é composta de dois átomos de oxigênio e um de enxofre. Daí SO₂. É um gás denso, incolor, não inflamável, mas tóxico se livre no ambiente. Um gás produzido pelos vulcões, um gás que sai do escapamento dos carros, um gás utilizado para fazer ácido sulfúrico, mas também um gás que há séculos é utilizado como o mais eficaz conservante de vinhos, como branqueador e conservador de vários produtos alimentares. 

Ele inibe o desenvolvimento de leveduras e bactérias, durante a vinificação e depois do vinho engarrafado. Com isso, evita que o vinho vire vinagre. Mas pode provocar dor de cabeça em pessoas mais sensíveis. Por isso, tem sido demonizado. E vários produtores têm tentado fazer vinho sem SO₂.

Usado desde o século XVII, no entanto, o SO₂ é admitido tanto na agricultura orgânica quanto na biodinâmica. E mesmo nos vinhos naturais. “O que as pessoas não falam é que é importante a qualidade do dióxidos de enxofre”, disse francês Nicolas Joly, o papa da viticultura biodinâmica e dos vinhos naturais, durante uma conversa com jornalistas e especialistas em vinhos na série de encontros  virtuais Sala de Pandora, promovidos pela jornalista Fernanda Fonseca. “O SO₂ natural é completamente diferente do feito em laboratório. Tem muito mais qualidade.”

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