Envelhecimento em ânforas, em tanques de inox, em ovos de concreto, em barricas tecnológicas… Enólogos semre testam novidades de para criar rótulos surpreendentes. A última novidade, ao que parece, é uma categoria de vinhos “subaquáticos”.

A inspiração apareceu há 10 anos: mergulhadores encontraram 168 garrafas de Champagne em um navio naufragado no mar Báltico há quase dois séculos. Entre elas, 47 unidades de Veuve Clicquot, e pesquisas mostraram que eles remontam aos anos entre 1839 e 1841.

Quando a primeira garrafa de champagne dos destroços foi trazida para a superfície, a rolha estourou por causa da variação de pressão. Uma equipe de degustadores provou e descobriu que, ao invés de água do mar, havia dentro dela vinho doce, mesmo com ainda um pouco de sua carbonatação original.

As garrafas foram leiloadas e algumas delas alcançaram lances de quase US$ 15 mil.

A partir daí, surgiram produtores querendo envelhecer seus vinhos debaixo d’água. Um dos pioneiros foi espanhol Raúl Pérez, em 2003, que mergulheu garrafas de albariño de Rías Baixas no oceano por 60 dias.

Tecnologia submarina

Especialistas dizem que o envelhecimento debaixo d’água do mar, especialmente de vinhos espumantes, é bastante promissor. Isso porque o oceano oferece um ambiente fresco e pressurizado, além da ausência de luz e relativa falta de oxigênio.

A vinícola norte-americana Mira está entre as líderes da pesquisa dos efeitos do método nos vinhos e o apelidou de “aquaoir” (uma brincadeira com “terroir”). Seu Cabernet Sauvignon 2009, que ficou submerso por três meses, tinha sabores de uma bebida envelhecida por dois anos se comparada com uma versão que permaneceu em terra firme, segundo a vinícola.

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