/Por Ana Beatriz Miranda

Você já ouviu falar nos supertoscanos? Entre as célebres regiões italianas produtoras de vinhos, a Toscana tem um brilho peculiar. Por seus dias ensolarados, é claro, mas principalmente por seus rótulos icônicos. É lá que nascem os populares Chiantis, os ricos Brunellos di Montalcino, os elegantes Nobiles di Montepulciano e os subversivos supertoscanos.

Revolucionários, os supertoscanos são os vinhos elaborados no fim da década em 1960, sem seguir as regras da Denominação de Origem de Chianti. Ainda não é consenso se o primeiro supertoscano foi o Sassicaia de 1968 ou o Tignallo de 1970, mas é certo que o rompimento com a tradição vitivinícola deu o que falar.

A rebeldia criativa

Em 1872, foi determinado pelo barão Bettino Ricasoli, o pai do Chianti, que os vinhos da região deviam ser feitos majoritariamente com a uva sangiovese com um pouco de canaiolo e malvasia. E assim foi por quase um século. Entretanto, no auge dos anos de 1960, enquanto o movimento de contracultura ganhava força no mundo, alguns fabricantes locais contestaram as normas de produção vigentes.

Por que não incluir outras castas e técnicas globais? As famílias primas Antinori e Incisa della Rochetta, viticultores da região, ousaram e se tornaram os principais nomes da criação dos supertoscanos. O enólogo Giacomo Tachis, que trabalhou para as duas vinícolas, foi o responsável por esses vinhos que revolucionaram a viticultura italiana.

A intenção não era apenas ser rebelde e desobedecer às regras: a busca era por um líquido diferenciado, que se desassociasse dos Chianti da época, que estavam obsoletos, sem muito prestígio. Sem contar que tais regras também eram um fator limitante de produção – não em quantidade, mas sim em qualidade e criatividade. O desejo era conseguir um vinho rico, encorpado e complexo.

O boicote que jogou a favor

Incomodados com tamanha subversão, os puristas não deixaram barato e classificaram os tais supertoscanos na mais baixa categoria: “vino di tavola”, que tinha o menor preço do mercado. Só que o tiro saiu pela culatra, porque os fora da lei eram de qualidade ímpar, ganharam vários concursos dentro e fora da Itália e conquistaram o paladar de críticos especializados, atraindo ainda mais atenção.

A consagração definitiva veio quando Robert Parker, um dos mais importantes pontuadores do planeta, deu 100 pontos para o Sassicaia de 1985. Vale lembrar que os supertoscanos não são somente aqueles que levam castas “proibidas” pelas denominações de origem tradicionais da Toscana. Muitos são varietais de sangiovese, mas ainda assim levam essa consideração por desobedecerem a outras regras de produção – e não somente as variedades de uvas permitidas. Viva a ousadia!

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