/Por Tânia Nogueira

Jerez é um mundo à parte. Denominação de origem do sul da Espanha, reúne uma série de estilos, alguns deles bem diferentes do que costumamos chamar de vinho. O fino e manzanilla, por exemplo, são quase salgados. Já o amontillado tem curiosa gama aromática, capaz de combinar aromas de frutas secas e ervas de cozinha.

Esse jeito diferentão costuma fazer do jerez um vinho para iniciados, difícil de entender e, por isso, nem sempre tão fácil de apreciar. Quem gosta costuma amar. Vira fã.

Tanto que a Semana Internacional do Jerez é uma das datas mais esperadas pelos enófilos. Neste ano, a sétima edição do evento acontece entre 2 e 8 de novembro.

A ação é orquestrada pelo Conselho Regulador dos Vinhos de Jerez e Manzanilla desde 2013. O conselho criou um site para, depois de ser divulgada a data oficial do ano, bares, restaurantes e escolas de gastronomia – de qualquer cidade do planeta – poderem inscrever seus eventos e promoções. Um desconto na venda, uma degustação guiada ou um jantar harmonizado em um restaurante são algumas ações típicas.

Jerez em todo o mundo

Neste ano, a grande novidade serão os eventos on-line, o que torna tudo mais globalizado. Nada impede que um brasileiro assista a uma masterclass dada em Londres, por exemplo. “O legal da Semana do Jerez é que é descentralizada”, diz Bernardo Pinto, professor da Wine School e sommelier da importadora Zahil.

Com a pandemia, ficou difícil prever como serão os eventos. Tudo depende do nível da taxa de contágio em cada cidade na primeira semana de novembro. “Que os eventos vão acontecer, eles vão”, diz Bernardo Pinto. “A gente só não sabe o formato. Se as degustações, por exemplo, serão em uma sala física com um monte de gente ou se serão em uma sala virtual com cada um na própria casa.” Ainda assim, essa é uma oportunidade para aprender mais sobre a bebida.

Múltiplas faces

Jerez não é um único tipo de vinho, são vários. De comum, todos os jerez (ou sherry, ou xérès) devem ser produzidos na região espanhola da Andaluzia, no triângulo formado pelas cidades de Jerez de la Frontera, Sanlúcar de Barrameda e El Puerto de Santa Maria. Outras regras: ser fortificado e passar por um sistema de envelhecimento especial, conhecido como soleira.

Há estilos de jerez muito secos, até salgados, e estilos muito doces. Uns são tomados como aperitivo, outros, como vinho de sobremesa. Outros ainda, como o oloroso – que, apesar de seco, tem notas oxidadas –, combinam mais com um charuto.

Duas coisas são muito importantes de se aprender: o que é o sistema de soleira e o que é flor. Soleira é o esquema de disposição dos barris de jerez nos armazéns. São empilhados deitados, de forma que os vinhos mais velhos fiquem embaixo e os mais novos, no alto. E o vinho vai sendo transferido dos barris do alto para baixo.

Flor é uma camada muito delicada de levedura que se forma naturalmente na superfície dos finos e dos manzanillas. Os vinhos passam anos em contato com essa levedura. Esse processo se chama crianza biológica. Quando a flor não se forma, o vinho é destinado a outro estilo e seu envelhecimento será em contato com o ar (crianza oxidativa).

O Marco de Jerez, como é conhecido o território onde é produzido o fortificado, inclui as regiões onde se plantam as uvas e as cidades onde estão os armazéns de envelhecimento. O clima é mediterrâneo. A proximidade com o mar é muito importante. As uvas principais são a palomino (secos) e a pedro ximénes (doces). Mas o que define cada garrafa é o estilo. Veja qual faz mais seu gosto.

Identidade própria

Descubra como é elaborado cada estilo de jerez:

Jerez secos

Fino

É marcado pela presença da flor, que evita o contato com o ar e protege da oxidação, e traz aromas muito peculiares de pão e levedura que se juntam aos de frutas e flores brancas. É bastante fresco e seco. Pelas regras da denominação de origem, tem de passar no mínimo dois anos na soleira, mas é bastante comum que esse estágio seja mais longo. Provavelmente, é o jerez mais famoso do mundo. Meio salgadinho, é ótimo para acompanhar petiscos, como as famosas tapas espanholas.

Manzanilla

O processo de produção é o mesmo do fino, só que a soleira desse estilo deve ficar na cidade de Sanlúcar de Barrameda. É considerado o jerez mais delicado e fresco, com aromas de maçã e toques amendoados.

Amontillado

Um jerez que passa pelos dois tipos de crianza, a biológica e a oxidativa. Por isso, combina aromas frescos, como frutas e ervas, com outros típicos de oxidação, como frutas secas e nozes. É seco e até salgado na boca.

Oloroso

Antes que a flor possa se formar, o vinho é fortificado. Assim, o líquido entra em contato com o ar e sofre oxidação desde o início do processo. Isso confere bastante caráter à bebida. Notas de tabaco se mesclam às frutas secas. É seco, mas o teor alcoólico elevado cria a ilusão de doçura.

Palo Cortado

Em alguns casos, a flor morre de repente e o vinho passa da crianza biológica para a oxidativa. É um estilo mais raro. É seco, rico, redondo e suave, com elegante persistência.

Jerez doces

Pale Cream

Um fino que é adoçado com o mosto concentrado. Mas não é muito doce.

Cream

Meio doce, é elaborado a partir do oloroso adoçado com uvas pedro ximénez ou moscatel.

Pedro Ximénez

Também conhecido como PX, é bem doce. A uva é colhida bastante madura. No nariz, tem passas, figo, frutas negras em geleia.

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