/Por Tânia Nogueira

É comum compararem o vinho pipeño, aquele mais popular do Chile, ao que ficou conhecido no Brasil como vinho de garrafão, o nosso vinho de mesa. Mas o pipeño é muito diferente do vinho de garrafão. A começar pelo fato de que ele produzido a partir de uva vinífera.

Na maioria das vezes, a uva usada é a país, uma variedade que por muito tempo foi considerada menos nobre mas que hoje está bastante na moda também para vinhos mais finos. A cinsault e a carignan também são bastante usadas. Mas há pipeños de uvas de todos os tipos, até de cabernet sauvignon. 

É comum os pipeños terem um teor de açúcar mais elevado, mas há pipeños secos,  especialmente de uns sete anos para cá, quando o estilo entrou na moda. Isso se deve muito ao trabalho de valorização da cultura vinícola popular do Chile feito pelo jornalista Patrício Tapia. Em 2014, por exemplo, vários pipeños receberam destaque no Guia Descorchados, de Tapia.

A grande diferença entre um pipeño e um vinho fino chileno está principalmente no rendimento do vinhedo, em geral bem maior do que o dos vinhos finos, e nos gastos com a produção.

Costumam ser produzidos em grandes lagares, não passam por barricas de carvalho e são comercializados jovens. Tradicionalmente, o pipeño é vendido a granel: o consumidor enche seu garrafão direto do barril.  Os novos pipeños, no entanto, têm garrafas e rótulos bastante modernos.

Os pipeños modernos, aliás, na verdade, não são vinhos populares. Custam caro. Eles são inspirados na cultura popular. O enólogo francês David Marcel da Viña Maitia, por exemplo, teve a ideia de produzir seu cultuado Aupa Pipeño depois de provar o vinho que os trabalhadores de uma bodega bebiam onde estava vinificando seus rótulos.

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