/Por Ana Beatriz Miranda

Muito se fala sobre vinhos suaves, sobretudo, quando se questiona a qualidade da bebida. Afinal, vinhos suaves são bons? A resposta pode ser sim e pode ser não, dependendo do tipo de vinho e da forma por qual ele é elaborado.

Vinho suave = vinho doce

Antes de mais nada é importante entender que vinho suave e vinho doce são sinônimos. Trata-se da classificação quanto à quantidade de açúcar residual no líquido. Cada país produtor tem sua própria legislação acerca desse assunto. No Brasil, o vinho é meio seco se tiver de 4,5 gramas a 25 gramas de açúcar. Já os vinhos suaves/doces são aqueles que possuem a partir de 25 gramas de açúcar por litro de vinho.

Logo, o vinho suave é realmente uma bebida com doçura perceptível no paladar, motivo de controvérsia entre os amantes do vinho seco. De fato, muitos vinhos doces ganharam má fama ao longo do tempo, por não terem complexidade de aromas e sabores e nem serem elaborados criteriosamente. Contudo, há vinhos suaves nobres, célebres e caríssimos, como o húngaro Tokaji Aszú, o francês Sauternes e o alemão que parece um palavrão, Trockenbeerenauslese

Como todos os tipos de vinhos, a qualidade é indicada por fatores diversos, desde o cultivo das uvas, passando pelas características de solo e clima, o manejo das videiras, a colheita, as técnicas de vinificação, as decisões do enólogo, ou seja, tudo que envolve o terroir. A classificação de acordo com a quantidade de açúcar é apenas para determinar o estilo do vinho. 

E o vinho de sobremesa?

É bastante comum a gente ouvir o termo “vinho de sobremesa” para se referir aos vinhos doces. Embora seja aceitável usar a expressão coloquialmente, ela não consta na legislação. Mas, pelo sim e pelo não, é exatamente o vinho suave/doce. 

Como os vinhos suaves são feitos?

Durante a elaboração do vinho suave, a fermentação é interrompida antes que as leveduras consumam todo o açúcar do mosto, o suco concentrado das uvas. Então, sobra o açúcar residual natural dos frutos. Não é autorizado acrescentar açúcar ao mosto, mas pode-se inserir suco concentrado de uva para elevar o dulçor ou uma mistura de álcool e glicose. 

Além disso, há métodos em que a própria uva é naturalmente doce, como o late harvest, por exemplo, ou colheita tardia. Nele, as castas são deixadas nas videiras semanas após o amadurecimento, a fim de concentrar os açúcares. Só depois a colheita acontece e começa a produção da bebida. 

Como consumir o vinho suave

Muito do preconceito que as pessoas têm com os vinhos suaves vêm do consumo equivocado. Pode não ser agradável ao paladar consumir uma quantidade grande da bebida, como se faria com um rótulo seco. Harmonizar com alimentos que não combinam também são uma razão para o insucesso.

A dica de consumo para os vinhos doces é apreciá-los como aperitivos, antes das refeições, ou como digestivos, depois, sempre gelados. Para combiná-los com comida, o mais indicado é harmonizar por afinidade, claro, com sobremesas. E para que o açúcar não adormeça as papilas gustativas, é interessante escolher um vinho que seja mais ou igualmente doce à sobremesa.  

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