Tristan, Briac e Guirec Le Lous, três irmãos franceses que nasceram na Borgonha compraram em dezembro de 2019 uma propriedade em Margaux, na margem esquerda de Bordeaux. O propósito do investimento era dar continuidade aos negócios da família no mercado do vinho.

Porém, o trio não se limitou apenas à paixão pela bebida fermentada e a uniu com a sustentabilidade, ao futuro mais verde.

Por isso, quando fizeram planos para a nova vinícola, decidiram combinar uma abordagem ambiental com modernidade e design. “Há muito tempo me interesso por edifícios e arquitetura ecologicamente responsáveis”, disse Le Lous, 40, pai de dois filhos que se formou em genética molecular, agronomia e negócios.

A busca dele o levou ao arquiteto francês Philippe Madec, um campeão de construção ecológica que foi nomeado Oficial da Legião de Honra por seu trabalho em sustentabilidade. Ele combina a sustentabilidade com o design para refletir uma ideia em evolução do que é moderno e bonito.

O projeto deles foi de erguer um ambiente ecológico com um design único para uma vinícola moderna e neutra em carbono, sua abóbada construída com terra crua, um método antigo de terra compactada e blocos de terra estabilizados comprimidos (CSEB) capazes de suportar um telhado. Acredita-se que seja o único projeto de suporte de carga desse tipo no mundo, o que o coloca na vanguarda das opções de construção verde.

“Estamos fazendo algo realmente raro”, disse Madec, que defende a arquitetura sustentável desde os anos 1980. Este projeto, disse ele, se resumia a três pontos-chave. “Para a construção, não estamos usando cimento. Vamos construir uma abóbada com CSEB. E vamos usar a temperatura do solo para resfriar a adega”.

Tristan Le Lous, à esquerda, e José Sanfins sentam-se sobre uma amostra de parede de “terra crua”que usarão para construir a nova adega em Cantenac-Brown

A escolha dos materiais é parte integrante da pegada ambiental. “Eu só uso terra, madeira e pedra”, disse Madec. “É um longo debate, mas o concreto armado é um dos piores materiais do planeta e um dos motivos da desordem climática. As viagens aéreas contribuem com 2% dos gases do efeito estufa e a produção de concreto armado com 7 a 9%.”

As dimensões da construção aliadas às necessidades de produção de bons vinhos também influenciaram na escolha dos materiais, como a necessidade de manter a adega fresca. “Philippe propôs tijolos de terracota no início, mas a inércia térmica não era tão boa quanto a construção com terra bruta”, disse Le Lous. Se tivessem escolhido a terracota, teriam que reduzir o espaço abaixando o teto ou usar ar-condicionado para manter a temperatura perfeita para o vinho.