/Por Ana Beatriz Miranda

Mais do que uma bebida, o vinho é história para todos e paixão para muitos e, claro, está envolto por tendências para quem está de olho. Sendo temática de discussões entre apreciadores e especialistas – e com toda a riqueza de assuntos que a englobam –, a bebida está sujeita a modismos. E a filtragem é um deles. Sobretudo quando Robert Parker, o célebre pontuador, expôs uma preferência aos não filtrados, há alguns anos, o que certamente influenciou muitos produtores.

Por que filtrar, afinal?

A filtragem é uma das etapas corriqueiras na elaboração do vinho. Todavia, não é algo imprescindível para um bom resultado. É puramente uma decisão do enólogo, de acordo com o estilo que se pretende imprimir à bebida. Após a fermentação do mosto, o líquido resultante apresenta leveduras, outros microrganismos e sedimentos suspensos.

Então, é feita a filtração, a fim de eliminar esses resíduos e clarificar o líquido turvo, melhorando o aspecto visual e, para quem defende os vinhos filtrados, a sensação gustativa. O processo de filtragem ocorre duas vezes: a primeira para a clarificação e a segunda para a remoção total de bactérias que ainda tenham ficado na bebida.

Veganismo e a trend dos não filtrados

Com o crescimento do veganismo, os métodos de produção passaram a ser vistos e questionados mais atentamente. E no mundo do vinho não foi diferente. A clarificação, por exemplo, tradicionalmente, usa substâncias de origem animal. Obviamente, essa etapa foi cortada na elaboração de vinhos veganos e também na de orgânicos e biodinâmicos. E a segunda filtragem foi junto. Nos vinhos não filtrados, os sedimentos decantam naturalmente. Assim, depois que todas as partículas sólidas se depositaram no fundo dos tanques, o líquido é retirado das borras para ser engarrafado.

E qual vinho é melhor?

As opiniões variam bastante. Há quem prefira os filtrados, pela segurança do método de eliminação de quaisquer impurezas, mas há quem defenda os não filtrados, por serem mais naturais e autênticos. Não existe unanimidade. É mais uma questão de gosto. O fato é que, para a elaboração dos vinhos não filtrados, é preciso um cuidado extra. A dispensa da filtragem é uma decisão que deve vir ainda durante o cultivo das uvas, com cada etapa sendo monitorada muito de perto.

Isso porque essa técnica elimina a eventual presença de agentes inconvenientes que, porventura, persistirem no líquido. Além disso, sendo uma bebida viva, o vinho continua evoluindo mesmo dentro das garrafas e, sem filtração, ele pode se deteriorar mais rapidamente. Os vinhos não filtrados trazem uma sensação mais rústica ao paladar. Podem ser mais genuínos em seus aromas e sabores, mas não são melhores nem piores do que os filtrados. São estilos diferentes.

Vale a pena provar os dois para descobrir as variações e eleger o mais agradável. Inclusive, uma degustação às cegas pode ser uma experiência superinteressante para desvendar as nuances desses vinhos, aumentando
ainda mais o leque de conhecimento sobre a vastidão surpreendente de
nosso fermentado preferido.

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