/Por Tânia Nogueira

Já começou a Semana Internacional do Jerez, que vai até o dia 8 de novembro. A ação, coordenada pelo Conselho Regulador dos Vinhos de Jerez e Manzanilla, reúne diversos eventos no mundo todo. Dentro do site Sherry Wines, há a página Sherry Week onde bares, restaurantes, importadoras, escolas e outros estabelecimentos inserem seus eventos que, assim, podem ser visualizados pelo  consumidor. Só em São Paulo, até o fechamento deste texto, havia 34 eventos. No Brasil, 47. 

Em São Paulo é onde há mais opções. O restaurante Jiquitaia, por exemplo, está com uma carta especial de jerez vendido por taça. Na Vinheria Percussi, a massa seca italiana com molho de mascarpone e bottarga com uma taça do Inocente Fino, um jerez muito especial, está por R$ 98. No Bardega, o polvo grelhado, crocante de lombo, molho romesco e picles de cebola roxa com uma taça de Fino Perdido, outro jerez bastante especial, sai por R$ 109.

No restaurante espanhol Torero Valese, a atração são os drinques feitos à base de jerez como o Sangre de Maria (vodka, suco de tomate, Tio Pepe Jerez Fino, molho inglês, tabasco e suco de limão). Mas há eventos em outras cidades como o menu harmonizado de tapas e jerez do restaurante Bazaar, no Rio de Janeiro, no qual são sugeridas duplas como a costela de cordeiro na brasa com creme de cará, couve “cavolo nero” e cará-moela grelhado na manteiga (R$ 58) com o raro jerez Palo Cortado Regente Sánchez Romate (R$ 75 a taça). Inscrições no site da Jerez Week.

A novidade deste ano são os eventos virtuais. Muita coisa que era presencial, especialmente as aulas e degustações. Eventos como a Jerezada da Pandora Online, uma degustação conduzida pela jornalista especializada em vinhos Fernanda Fonseca na plataforma Zoom no dia 4, às 20h. Por R$ 250, os participantes vão receber quatro garrafinhas de jerez (fino, manzanilla, amontillado e PX) e tapas para harmonizar. No pacote está incluída também toda a interação que o Zoom propicia. Você pode fazer comentários, perguntas e por aí vai.

A tecnologia nos possibilita participar de até de eventos internacionais. Infelizmente não daqueles que dependem da entrega de vinhos a domicílio, mas de webinars e lives como o Sherry O’clock, no Instagram da Sherry Wines, que a cada dia da semana, às 15h, trata de um estilo de jerez: Manzanilla Monday, Amontillado Tuesday, Palo Cortado Wednesday, Cream Thursday e Fino Friday. 

Para decidir por um ou outro evento, ajuda saber um pouco sobre cada estilo de jerez.

Tipos de Jerez

Jerez seco

Fino

É um vinho marcado pela presença da flor, que evita o contato com o ar, protegendo-o contra a oxidação, e traz aromas muito peculiares de pão e levedura que se juntam aos de frutas e flores brancas. É bastante fresco e seco. Pelas regras da DO, tem de passar no mínimo dois anos na soleira.

Mas é comum esse estágio ser mais longo. O Tio Pepe, da bodega Gonzales Byass, por exemplo, , tem quatro anos de soleira. Provavelmente é o jerez mais famoso do mundo “A especialidade e maior reconhecimento da nossa casa tem sido os vinhos de finos,” diz  Antonio González Palacios, diretor de exportação Fresco e meio salgadinho, é ótimo para acompanhar tapas espanholas. Importado pela Inovini (11) 97666-9283), custa R$ 159.  

Mais raros, mas cada vez mais apreciados, são os finos com uma passagem longa pela soleira. Esse é o caso do Inocente Fino, da bodega Valdespino, que tem dez anos de soleira. Todos os aromas do fino tradicional ficam aí intensificados. Importado pela Zahil (https://www.zahil.com.br/valdespino-inocente-fino-01-02-0476-p985996), custa R$ 344, mas está por R$ 292,40 na Sherry Week.

Manzanilla

O processo de produção é o mesmo do fino, só que sua soleira fica na cidade de Sanlúcar de Barrameda. É considerado o mais delicado e fresco, com aromas de maçã e amendoados. O Fernando de Castilla Manzanilla Classic Dry é um ótimo exemplo dessa delicadeza. O vinho se destaca pela pureza dos aromas. Importado pela Casa Flora custa R$ 210 e está com desconto de 10%, assim como todos os jerezes. “Trabalhamos com vinhos puros, limpos, quase sem manipulação, com pouca filtragem e clarificação”, diz o produtor Jesús Peláez Montejos.

Amontillado

Um jerez que passa pelos dois tipos de crianza, a biológica e a oxidativa. Por isso, combina aromas frescos, como frutas e ervas, com outros típicos de oxidação, como frutas secas e nozes. É seco e até salgado na boca. O Los Arcos Amontillado, da Bodega Lustau, tem essa infusão de ervas bastante marcada e algo de tabaco, além de tâmaras e outras frutas secas. Importado pela Ravin, de R$ 253, ele estará por R$ 199 durante a Semana do Jerez. 

Oloroso

Antes que a flor possa se formar, o vinho é fortificado. Assim tem contato com o ar e sofre oxidação desde o início do processo. Isso lhe confere bastante caráter. Notas de tabaco se mesclam às frutas secas. É seco, mas o teor alcoólico elevado pode criar a ilusão de doçura. O Alfonso Oloroso, na boca, é bastante persistente. Importado pela Inovini (, custa R$ 159.

Palo Cortado

Em alguns casos, a flor morre de repente e vinho passa da crianza biológica para a oxidativa. É um estilo mais raro. É seco, rico, redondo e suave, com elegante persistência.

Jerez doce

Pale cream

É um fino adocicado com mosto de uva concentrado. Não muito doce.

Cream

Meio doce, feito a partir do oloroso adoçado com uvas pedro ximénez ou moscatel.

Pedro Ximénez

Também conhecido  como PX, é bem doce. A uva é colhida bastante madura. No nariz, tem passas, figo, frutas negras em geleia.

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