/Por Tânia Nogueira

Vinho laranja é o novo branco? No fim dos anos 1990, na volta de uma viagem à Geórgia, na região do Cáucaso, o produtor italiano Josko Gravner, na época já uma estrela do Friuli, começou a produzir uns vinhos brancos muito diferentes daqueles que se faziam na Itália e em todo ocidente.

Eram vinhos de cor escura, de aromas oxidados, produzidos como milênios atrás. Esses vinhos logo chamaram a atenção e começaram a ser exportados e copiados mundo a fora. Em 2004, o importador inglês David Harvey classificou o estilo como “vinho laranja”. 

Laranja por conta da cor. Na Geórgia, eles são chamados de âmbar. E é assim que Gravner prefere classificá-los. Nesse país, que fica bem na região onde o vinho teve origem, como indicam vários achados arqueológicos, até hoje muitos produtores usam técnicas milenares.

Eles produzem os vinhos em grandes ânforas de terracota, chamadas qvevri. Para evitar que as temperaturas subam durante a fermentação, essas ânforas são enterradas. Elas são seladas com cera de abelha. Os brancos, assim como os tintos, são fermentados com cascas, sementes e engaços. Depois, ficam meses ali com todo o bagaço macerando.

Gravner repete o processo quase que integralmente, com pequenas variações. Até importou ânforas. Mas há quem faça vinho laranja sem as ânforas. O que define um vinho laranja é principalmente o contato prolongado do mosto com as cascas. 

Nos vinhos brancos modernos, logo de início, o mosto é separado das cascas e toda vinificação é feita sem contato com o ar. Por isso, os vinhos são claros, têm aromas frescos. Durante a maceração, as cascas transferem taninos e outros polifenóis para o mosto.

Por isso, o vinho laranja costuma ter mais corpo e uma maior complexidade aromática. A cor âmbar vem da lignina, que se encontra na semente, e da oxidação. Pois o laranja não costuma ser isolado do ambiente. É muito comum também o laranja ser produzido com mínima intervenção. Ou seja, com fermentação espontânea, não ser filtrado e nem clarificado.

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