/Por Ana Beatriz Miranda

A pergunta “o que é vinho?” pode até parecer boba à primeira vista, mas você já parou para pensar na definição da nossa bebida favorita? Vinho vem do latim vīnum, significando tanto “vinho” como “videira”. De forma geral, é o produto da fermentação alcoólica das uvas. Segundo a legislação brasileira, só pode ser chamada assim a bebida feita a partir de uvas. Os vinhos finos precisam necessariamente ser elaborados a partir da espécie Vitis vinifera, enquanto os vinhos de mesa permitem outros tipos. Além disso, a porcentagem alcoólica deve ser de 8,5% a 14% em volume. 

História do vinho

A origem do vinho remonta aos tempos imemoriais, sendo confundida com a própria história da civilização. Acredita-se que os primeiros vinhedos do mundo tenham surgido na região de Cáucaso, Geórgia — antiga república soviética próxima à Grécia, de 7 mil a 5 mil anos a.C., embora haja várias lendas sobre a descoberta do fermentado. Uma fábula persa conta que uma princesa descobriu o vinho, ao tentar se envenenar com suco de uva “estragado”. Ao degustá-lo, ela percebeu que o sabor era bom e que o ânimo dela melhorou, notando, então, que as uvas fermentadas produziam uma bebida poderosa. 

Os primeiros equipamentos que evidenciam a produção do vinho foram encontrados na Armênia, próxima da Geórgia. O Egito foi um dos grandes responsáveis por difundir o vinho na Antiguidade. Como principal região econômica e cultural da época, o território era repleto de videiras, retratadas em hieróglifos. 

O vinho continuou fazendo parte da vida das civilizações prósperas seguintes, como os gregos. É provável que a bebida tenha chegado à Grécia por volta de 3 mil anos a.C, através dos comerciantes fenícios. A paixão pelo vinho foi tanta que os gregos tinham um deus do vinho para cultuar, Dionísio. Eles criavam técnicas de vinificação e expandiram consideravelmente os vinhedos na Europa. Em seguida, os romanos continuaram a celebrar a bebida, dessa vez, através do deus Baco. Eles descobriram as diferenças entre uvas viníferas e as catalogaram, além de serem os primeiros a usarem barricas de madeira para armazenar o líquido.

A próxima era, após o declínio do Império Romano, foi a medieval. O vinho, nesse período, já era amplamente consumido por toda a Europa, sendo mais confiável do que a água, em termos de higiene. A França começou a se destacar na produção vitivinícola nesse período, junto com a expansão do catolicismo, que usava o vinho na comunhão. 

Com as Grandes Navegações, a tradição do cultivo de videiras foi levada para a América, sendo o primeiro registro no século 16, na região do México. As boas condições de clima e solo do continente americano garantiram a expansão da viticultura. No fim do século 19, a praga filoxera dizimou grande parte dos vinhedos do Velho Continente e, como as espécies americanas eram resistentes, o cultivo de videiras se cresceu e se consolidou no Novo Mundo. Inclusive, foi a criação de porta-enxertos com as raízes das espécies de vinhas americanas que possibilitaram a sobrevivência e a recuperação dos vinhedos europeus.         

Além das Américas, a África do Sul também se tornou um importante pólo vitivinícola fora da Europa, assim como Austrália e Nova Zelândia, posteriormente. Assim foi difundida essa bebida rica em história, cultura e mitos, que acompanhou e segue de perto os passos da humanidade. Vida longa ao vinho!

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