/Por Tânia Nogueira

Você aprecia vinhos brancos italianos? Quando se fala em vinhos italianos, a maior parte das pessoas se lembra de tintos como o brunello, o barolo ou o chianti. No entanto, a Itália produz mais vinho branco do que vinho tinto.

Segundo o portal Italian Wine Central, 57% do vinho produzido no país é branco. Esse número inclui os vinhos que serão transformados em espumante, como o prosecco.

Ainda assim, descontados os espumantes, sobra muitos vinhos tranquilos brancos a serem descobertos. São brancos frescos, muitos de aromas cítricos, com gosto de um dia de verão no mediterrâneo.

“O vinho branco faz parte  da nossa cultura”, diz  a sommelière e wine educator Anna Rita Zainer. Nascida no Friuli, Anna Rita mora e trabalha no Brasil desde 1997. “O primeiro vinho que a gente toma quando chega no bar é sempre branco. Na minha região, a gente não diz ‘vamos tomar um café’, diz ‘vamos tomar um branco’.”

“Não se pode esquecer que a Itália é uma península”, diz “Tem mar por todos os lados. Por lá, se come muito peixe e frutos do mar.

O branco está muito presente na mesa.” Cercada pelo Mar Mediterrâneo, a península itálica se estende dos Alpes até quase a África e tem os Apeninos como coluna dorsal, com uma grande diversidade de solos e microclimas. 

Os primeiros a trazer as vinhas para essa região foram os etruscos. Depois, os romanos a difundiram por toda a península e para o resto da Europa.

Na Idade Média, os monges as cultivaram isoladamente em cada monastério. Depois, vieram as cidades-estado, A Itália, como conhecemos hoje, só foi unificada no século XIX.

História e geografia contribuíram para que a Itália mantivesse preservados uma enorme variedade de estilos de vinhos e o maior número de castas autóctones do mundo.

O livro Wine Grapes, de Jancis Robinson, Julia Harding e José Vouillamoz, lista 377 variedades de origem italiana, quase metade delas, brancas.

“Há uma boa diversidade de vinhos brancos italianos’, diz Claudia Schmidt, sommelière brasileira radicada no Piemonte. “Alguns com tanta qualidade quanto os grandes tintos. O Soave, do Vêneto, por exemplo.” 

O nordeste da Itália é considerado a terra dos grandes brancos.

Ali estão o Trentino-Alto Adige, o Friuli-Venezia Giulia e o Vêneto.

É uma região próxima aos alpes, portanto, o clima é frio, o que favorece o cultivo de uvas brancas, mantém a acidez da fruta.

A geografia e o relevo, no entanto, são variados, já que a região se estende das montanhas do Trentino-Alto Adige até a planície do Vêneto. 

O Trento e o Alto Adige são duas denominações separadas. O Alto Adige, além de ser uma região mais alta, faz fronteira com a Áustria ali aparece o pinot grigio e o pinot bianco, mas muitas brancas de origem alemã também como a riesling, a gewürztraminer ou a müller-thurgau.

Já no Trento, a pinot grigio e a pinot bianco dominam. São na maioria vinhos com alto grau de acidez.

O Friuli-Venezia Giulia é em si um DOC. Uma região que faz fronteira com a Eslovênia, também bastante fria.

Aqui, além das pinots, fazem sucesso a ribolla gialla, muito usada na produção de vinhos laranja, e a tocai friulano, que antes era conhecida simplesmente como tocai.

Teve de mudar o nome por causa o Tokai, na Hungria, um vinho com o qual não tem nada a ver. Aqui também se planta chardonnay com ótimos resultados.

Já o Vêneto não é uma denominação de origem. É uma indicação de origem geográfica.

Nos seus limites estão algumas denominações bastante famosas, como Valpolicella (tintos) e Conegliano Valdobbiadene (prosecco). Dos brancos, a mais famosa é sem dúvida Soave.

  • Os vinhos Soave ou Soave Superiore não têm nada a ver com aquilo que conhecemos aqui como vinho suave (vinho doce).
  • São vinhos secos e de grande qualidade. Um corte, no qual a casta local garganega entra com um mínimo de 70%.

No noroeste, estão o Piemonte e a Liguria.

No Piemonte, o branco mais renomado é o Gavi, um vinho elegante e fresco feito com 100% da uva cortese. O arneis, feito da uva de mesmo nome, um vinho um pouco mais ligeiro, é também muito apreciado.

Já a uva timorassu chegou quase a ser extinta pela filoxera e ficou muito tempo esquecida. Ainda não tem um doc próprio, mas vários produtores de Asti e Alessandria têm feito ótimos rótulos, de vinhos minerais, com boa complexidade aromática.

Na Liguria, vale prestar atenção nos Vermentinos.

Do centro para baixo, o clima na Itália começa a esquentar. Mesmo assim, a brisa do Mediterrâneo garante frescor.

Há ótimos brancos por toda a Itália. Na Toscana, por exemplo, tem os deliciosos Vernaccia de San Gimignano. No Marche, os verdiccchio. Na Campania, os greco di Tufo.

Na Sicília, brancos de diversos tipos, com destaque para fria região do Monte Etna. Os  vermentinos da Sardenha. E muito mais.

Os vinhos brancos italianos são uma viagem sem fim.

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