O Barca-Velha está para Portugal assim como o Château Lafite está para Bordeaux e o Romanée-Conti, um dos mais cultuados “grand crus”, está para a Borgonha.

A comparação pode soar exagerada se levados em conta os exorbitantes preços pelos quais os dois últimos costumam ser vendidos – o lusitano é um pouco mais abordável – ou o frisson que cerca a viticultura francesa, ainda infinitamente maior do que o reservado à produção dos vinhos portugueses. Mas que outro rótulo da terra de Camões goza de tanto
prestígio quanto os representantes franceses? Tirando o Barca-Velha, talvez só o Pêra-Manca, do Alentejo.

A receita que incluiu o Barca-Velha no mesmo rol do Lafite demandou, antes de tudo, uma enormidade de tempo. Enraizada na região do Douro, a vinícola Casa Ferreirinha só engarrafou 20 safras até agora.

A mais antiga dessas safras data de 1952 e a última, lançada em setembro passado, é de 2011. Dá uma média de 3,4 anos para cada uma – as garrafas só são comercializadas em torno de oito a dez anos após a colheita.

Vinhos portugueses: Portugal e a tradição vitinícola

O número escasso de edições se deve ao fato de que o Barca-Velha só é produzido quando a safra é tida como excepcional. Quando fica a desejar, de acordo com os rígidos padrões da vinícola, no lugar do Barca-Velha é elaborado o Reserva Especial Ferreirinha.

Mas esse plano B, diga-se de passagem, é quase tão aplaudido quanto o A. “Devo expressar minha admiração por qualquer produtor que libera seu vinho só quando ele está pronto para ser bebido e não vendido”, escreveu a crítica inglesa Jancis Robinson ao elogiar o Barca-Velha.

Barca-Velha: certidão de honra

Ferreirinha era o apelido de dona Antónia Adelaide Ferreira (1811- 1896), a portuguesa pequerrucha que era dona da vinícola, cujo registro mais antigo data de 1751 (em 1987, a propriedade foi adquirida pela companhia Sogrape, detentora de marcas como Sandeman e Flichman, que é uma das maiores do ramo no país).

Em 2011, ano do bicentenário do nascimento da antiga dona, os atuais proprietários a homenagearam com o lançamento do rótulo Antónia Adelaide Ferreira.

A paternidade do Barca-Velha é atribuída ao enólogo Fernando Nicolau de Almeida, que começou a dar expediente na propriedade no ano de 1929. Mas foi na década de 1940 que ele decidiu apostar em algo para o qual a região, tradicionalmente associada aos vinhos do Porto, nunca dera bola: um grande rótulo de mesa.

Reza a lenda que, no início, as barricas de madeira nas quais o Barca-Velha repousava nos porões da vinícola eram resfriadas com gelo – a eletricidade não havia chegado à região, quase na fronteira com a Espanha. E mais: o gelo seria transportado, envolto em palha, no lombo de burros, pois as estradas, se é que podiam ser chamadas de estradas, eram extremamente precárias (a versão oficial fala em caminhões no lugar dos animais).

Um legado longevo

Morto em 1998, Nicolau de Almeida passou o bastão para o enólogo José Maria Soares Franco, que o repassou, em 2007, para o atual mandachuva, Luís Sottomayor. Na vinícola desde 1989, esse último teria sido quem reprovou as safras de 2001, 2002 e 2003 e bateu o martelo nas três mais recentes: a de 2004, a de 2008 e a recém-lançada.

O penúltimo vinho, apresentado quatro anos atrás, mereceu 100 pontos da revista Wine Enthusiast. Sottomayor classificou-o como “misterioso”. “O vinho, de fato, era sublime, prenunciando um retorno às raízes, pelo perfil introspectivo que precisava de certo tempo para revelar todas as nuances”, escreveu o crítico Jorge Lucki.

Para a safra de 2011, o enólogo da Casa Ferreirinha descreveu como “o leão, o rei da selva”. A explicação dada para justificar a metáfora: “Anda para todo lado, sabe que é respeitado, mostra-se e diz: ‘Cheguei, estou aqui’. Tem sobretudo uma personalidade muito forte e um caráter bem definido. Um vinho que mostra o que é o Douro”. Mais comedido, Lucki classificou o novo tinto como mais “exuberante” e mais “intenso” do que o de 2008.

O vinho do Douro em Portugal

O segredo da excelência do Barca-Velha

O Barca-Velha 2011 foi elaborado com 45% de touriga franca, 35% de touriga nacional, 10% de tinto cão e 10% de tinta roriz – a propriedade na qual o rótulo é produzido, a Quinta da Leda, se espalha por 160 hectares.

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Quinta da Leda (Foto/viajecomigo.com)

Antes de ser engarrafado, em maio de 2013, o vinho descansou por cerca de 18 meses em barricas de carvalho francês. Tem 14,5% de teor alcoólico, 0,5% a mais do que o rótulo anterior.

Foram produzidas 33.766 garrafas, que devem ser vendidas a cerca de 600 euros cada uma, o equivalente a uns 4 mil reais – o preço final ainda não foi definido. Pelo Barca-Velha 2008, há quem peça 14 mil reais.

Outras safras que passaram no crivo para o vinho ícone da Casa Ferreirinha: 1953, 1954, 1955 (sobre a qual pairam algumas dúvidas, pois estava fora dos registros antigos), 1957, 1964, 1965, 1966, 1978, 1981, 1982, 1983, 1985, 1991, 1995, 1999 e 2000, além do primeiro e dos três mais recentes. Não espere novas tão cedo. As safras de 2012 e 2013 já foram descartadas tanto para o Reserva Especial Ferreirinha quanto para o vinho ícone da vinícola.

Já sobre a safra de 2014, Sottomayor ainda faz mistério. “Está boa, ainda não está decidido”, desconversou. O Reserva Especial Ferreirinha mais recente é o de 2009, cujas garrafas estão à venda por cerca de 2.200 reais no Brasil.

Texto escrito por Daniel Salles

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