/Por Ana Beatriz Miranda

Châteauneuf-du-Pape é uma cidade e AOC (Appellation d’Origine Contrôlée) francesa localizada no Côtes du Rhône ou Vallée du Rhône (também chamado de Vale do Rhône ou Vale do Ródano, em português). O Rhône é a segunda maior região produtora de vinhos da França, atrás de Bordeaux, e essa AOC é sua mais famosa área. 

O nome Châteauneuf-du-Pape é devido ao fato de, na cidade, ter sido construído o castelo de verão dos papas, no século 14. Châteauneuf é traduzido como “novo castelo”. Ainda hoje é possível ver as ruínas que sobraram da construção, que foi praticamente destruída depois das guerras religiosas, da Revolução Francesa e da 2ª Guerra Mundial.

Quando a igreja se estabeleceu na localidade, as videiras foram mantidas e os vinhos foram produzidos. Eles passaram a ser servidos à sede papal, sendo chamados de “vinhos do papa”. Rapidamente começaram a conquistar a reputação que ostentam atualmente. 

O vinho Châteauneuf-du-Pape: por que é tão especial?

Os vinhedos sofreram com a praga filoxera, no século 19, mas se reergueram no século 20, tornando-se AOC, com regulamentações específicas para atestar a origem e evitar falsificações. Segundo as regras de elaboração originais, podiam ser usadas 13 uvas e a graduação alcoólica deveria ser no mínimo 12,5%, a mais alta da França.

Em 2009, a quantidade de uvas permitidas aumentou para 18. A colheita tem que ser exclusivamente manual. As garrafas da região ganharam símbolos da igreja, como as chaves cruzadas — representando as chaves do reino dos céus — e a tiara papal.

Os vinhedos de Châteauneuf-du-Pape têm rendimento baixo. Logo, as uvas concentram açúcares, aromas e sabores. As características do terroir, com as “galets“, grandes pedras ovaladas, contribui para o amadurecimento perfeito da vasta gama de castas lá cultivadas. Essas pedras retêm umidade no verão, além do calor do sol durante o dia, que é liberado aos poucos à noite. Tudo isso é fundamental para a qualidade impressionante das uvas.   

Quase toda a produção local é de vinhos tintos, embora a AOC permita brancos. A variedade mais cultivada é a tinta Grenache, que costuma ser a base dos vinhos Châteauneuf-du-Pape. É comum aparecer nos blends a Cinsault, a Syrah, a Mourvèdre, a Muscardin e a Vaccarèse, bem como uvas brancas.

Cada casta traz um traço diferente ao vinho, equilibrando-se com maestria e resultando em uma bebida única, riquíssima em aromas e sabores, intensa, de opulência e suntuosidade pouco vistas. Nas últimas décadas, o crítico especializado Robert Parker, um dos mais respeitados do mundo, tornou-se promotor dos vinhos da região, elevando-os definitivamente ao posto de grandes ícones.

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