/Por Ana Beatriz Miranda

Dentre todos os espumantes, o champagne (escrevemos champanhe no Brasil) é certamente o de valor mais elevado do planeta. Sem dúvida, é um vinho histórico que se tornou símbolo de sofisticação. Mas por que o preço do champagne é tão alto? Existem várias respostas. Embora o nome champanhe seja usado a torto e a direito, ele pertence a uma denominação de origem. 

Então só pode ser chamado assim o espumante elaborado na região de Champagne, no nordeste da França, feito com as variedades de uvas Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier, além de processos de vinificação específicos, como o Método Champenoise. Nessa técnica, a segunda fermentação da bebida é feita dentro da própria garrafa. Em outras regiões, inclusive dentro da França, o método é chamado de Clássico ou Tradicional.  

Preço do champagne: fatores que influenciam

Champagne é um local de clima frio, com influência tanto oceânica quanto continental. Por causa do mar, a amplitude térmica — variação entre a temperatura máxima e mínima regional — não é muito alta, o que não é favorável para o cultivo das videiras. Além disso, durante o inverno podem ocorrer geadas extremamente agressivas às delicadas vinhas. Logo, cultivar uvas em Champagne não é tarefa fácil. 

Assim como o cultivo é complexo, o Método Champenoise tem muitas etapas e é longo. Alguns champanhes demoram anos para serem produzidos. Para se ter uma ideia, uma das especificações é que a bebida dele envelhecer ao menos um ano e três meses sobre as borras.  

Sem contar, claro, todo o enredo que envolve o líquido borbulhante mais cobiçado do mundo. A história do champanhe tem quase quatro séculos e envolve a frase célebre de Dom Pérignon, “Estou bebendo estrelas”. A verdade é que os vinhos de Champagne paravam de fermentar no outono e voltavam na primavera. Se estivessem já dentro das garrafas, a refermentação fazia com que elas estourassem, por causa da pressão do gás carbônico. 

O fato chamou a atenção do monge religioso Dom Pérignon que resolveu engarrafar o líquido em garrafas de vidro mais resistentes e amarrar as rolhas com arame. Ele também incrementou as técnicas de produção com o blend, mas o produto obtido tinha um aspecto turvo, diferente da limpidez que temos hoje.

A solução para isso veio da viúva Madame Clicquot Ponsardin, uma das mais consagradas mulheres do mundo do vinho. Ela criou as técnicas de remuage (a prática de girar as garrafas) e dégorgement (degola do vedante depois que os resíduos se acumulam no gargalo). Assim, o champanhe se tornou a bebida límpida, o cristal líquido festivo e nobre que tanto amamos.

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