/Por Ana Beatriz Miranda

A barrica de carvalho está intimamente envolvida na elaboração dos vinhos. A madeira confere características únicas ao líquido, variando de acordo com o tempo que eles ficam em contato. Ela é utilizada para amadurecer o vinho antes do engarrafamento, assim como os tanques de aço inoxidável e os ovos de concreto. 

Os barris de madeira — carvalho e outros tipos — eram usados nos primórdios para transportar e conservar o vinho, sem a intenção de tornar a bebida mais complexa, a princípio. Porém, os produtores perceberam que o líquido adquiria uma gama diferente de aromas e sabores, além de mais estrutura, e passaram a usar as barricas para influenciar o vinho. 

Ao longo do tempo, outras madeiras passaram a ser utilizadas para a evolução da bebida, cada uma oferecendo características próprias, de acordo com o tempo de uso, a tosta e o formato do barril. Acácia, cerejeira, castanheira e até barris de bourbon são alguns exemplos. De forma geral, a madeira intensifica a cor do vinho e confere aromas secundários, além dos naturais das uvas, que são os aromas primários. A porosidade dos barris ajuda na oxigenação lenta e gradual do líquido, o que suaviza os taninos. 

A barrica de carvalho

O carvalho é uma das madeiras mais utilizadas pelos tanoeiros, fabricantes de barris. Ele pertence ao gênero Quercus, à família das faias (Fagaceae) e tem muita presença de taninos. Existem cerca de 250 espécies de carvalho, mas os mais conhecidos são o americano, o francês e o húngaro.

O tamanho das barricas é outro aspecto a ser considerado ao utilizá-las para amadurecer o vinho. Quanto menor, maior a superfície de contato e mais influência na bebida. Os barris têm vida útil e conferem mais características quando são de primeiro uso. A partir da terceira e quarta utilização, a madeira perde bastante força. 

Níveis de tosta das barricas

Durante a fabricação dos barris, a madeira é tostada a fim de liberar aromas e sabores mais naturais. A tosta proporciona um perfil defumado ao vinho. Existem três níveis de tosta, leve, médio e forte. O leve é mais delicado, oferecendo pouca influência ao líquido. O médio é dividido em true medium, usado em tintos, e medium plus, usados em brancos. O forte influencia mais na bebida, com notas aromáticas mais expressivas.  

Barrica de carvalho americano

A espécie do carvalho americano é a Quercus alba. Ele é mais denso, menos permeável e com menor granulação do que os outros carvalhos. Os aromas mais comuns que esse tipo de madeira proporciona são baunilha, manteiga e coco. 

Barrica de carvalho francês

As espécies mais usadas de carvalho francês são Quercus robur e Quercus petraea ou Quercus sessilis. A robur tem granulação larga, muito tanino e aromas que lembram feno, enquanto a petraea é mais refinada, com granulação sutil, pouco tanino, aromas de baunilha e especiarias.

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