/Por Tânia Nogueira

Espumante é só para grandes ocasiões? Nem sempre. Frescos e gasosos, os espumantes  combinam bem com verão e praia, por exemplo. É só uma questão de saber escolher o espumante certo para cada ocasião. O mais importante a se observar é o método de produção. Ele não é obrigatoriamente um fator determinante da qualidade do espumante. Porém, é um ótimo indício de seu estilo.

Os métodos mais usados são o tradicional e o charmat.  O método tradicional é o que se usa em Champagne, na França. É o preferido quando a ideia é produzir espumantes mais complexos e encorpados, com alguma capacidade de guarda. Nesses espumantes, além dos aromas frutados, que variam de acordo com as castas usadas na produção, podem aparecer aromas  de nozes, amêndoas, avelãs e brioche. 

Já os produzidos pelo método charmat costumam ser mais leves, frescos e frutados. Os dois devem ter ótima acidez. Portanto, não devem ser nunca pesados para o verão. Mas a aposta mais segura seria um charmat para uma tarde à beira da piscina e um do método tradicional para abrir ou acompanhar um jantar.

Qual a diferença entre método tradicional e charmat?

Ambos incluem duas fermentações. Na primeira, se produz um vinho comum, conhecido como vinho base. É igual à produção de qualquer vinho, só que as uvas têm de ser colhidas com menos concentração de açúcar e mais acidez. Nela, as leveduras (naturais da planta ou acrescentadas pelo produtor) transformam o açúcar da fruta em álcool e gás carbônico. Só que esse gás é liberado. 

A segunda fermentação é para formar as bolhas. Ao vinho base são acrescentados açúcar e  mais leveduras. Novamente as leveduras produzem álcool e CO2. Só que dessa vez, o CO2 fica preso junto com o líquido e os resquícios das leveduras, conhecidos por borras ou lias. Essas lias mais tarde serão retiradas. O tempo de contato com elas é o que determina a complexidade dos aromas e o corpo do espumante.

No método tradicional, a segunda fermentação é feita em uma garrafa lacrada, em geral, com uma tampa de cerveja, para aguentar a pressão do gás. No charmat, a tomada de gás acontece em autoclaves, grandes tanques pressurizados. 

Por que os espumantes feitos pelo método tradicional costumam ser mais complexos?

Porque eles costumam passar mais tempo em contato com as borras: um ano, dois anos, três anos ou mais. O custo de se manter uma autoclave por esse tempo todo com um único lote de espumante é muito alto, O método charmat é mais usado para produções de grandes quantidades. No entanto, isso não é uma regra. O Chandon Excellence, por exemplo, é um charmat que passa de 12 a 18 meses sobre as lias. E há espumantes feitos pelo método tradicional que passam menos do que um ano.

Experimente: 

Espumante Garibaldi Pinot Noir Rosé – Da Serra Gaúcha, é feito pelo método charmat. É muito fresco, com delicioso aroma de frutas vermelhas. Custa R$ 47 (R$ 57, para não sócios) na loja da Sociedade da Mesa.

Champagne Jm. Gobillard & Fils Brut Grande Reserve Premier Cru – para conhecer todo o potencial de um espumante feito pelo método tradicional, nada melhor do que um champanhe. Este corte de chardonnay, pinot noir e pinot meunier, além de tudo, é um premier cru, ou seja, as uvas vêm de vinhedos especiais. Custa R$ 570 (R$ 775, para não sócios) na loja da Sociedade da Mesa.

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