/Por Ana Beatriz Miranda

Já provou um vinho malbec de Cahors ou apenas os irmãos mais célebres e benquistos da Argentina? A uva Malbec é de origem francesa, mais especificamente de Bordeaux, embora Cahors seja tradicionalmente onde mais se cultiva essa variedade na França. 

Em terras bordalesas, a Malbec era mais utilizada em blends, mas praticamente teve seus vinhedos extintos com a praga filoxera, em meados do século 19. Em Cahors, no sudoeste francês, que já se destacou muito na viticultura, essa casta é amplamente plantada, dando origem a vinhos de estilo distinto dos argentinos. 

A Malbec chegou à Argentina em 1852, surpreendendo com sua excelente adaptação ao terroir local. Ela brilhou tanto por lá que se tornou a uva emblemática do país, conquistando o mercado internacional com seus exemplares deliciosos e de qualidade singular. Tanto que em todo o país são 41 mil hectares só com essa casta, com a maior parte em Mendoza

Porém, a Malbec continuou sendo importante em Cahors, território também conhecido como Gasconha. A região possui a maior diversidade de uvas do país, sobretudo as tintas, que representam 80% das vinhas. O vinho malbec de Cahors é mais rústico e com coloração mais escura que o argentino. 

Ele tem um excelente potencial de envelhecimento, podendo alcançar seu auge depois de anos. A região se tornou Appellation d’Origine Contrôlée (AOC) em 1971. Uma das regras de elaboração diz que pelo menos 70% da bebida deve ser feita de Malbec. Os outros 30% podem ser de Merlot ou Tannat.

Cahors ainda tem um longo terreno a percorrer para alcançar a fama dos rótulos argentinos elaborados com a Malbec, mas também produz grandes vinhos. É interessante experimentar os exemplares da região, observando as diferenças com os da Argentina e como uma mesma uva adquire características únicas, de acordo com o terroir.             

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