/Por Ana Beatriz Miranda

Uma das máximas mais famosas que envolvem nossa bebida preferida é que vinho mais velho é melhor. Será que isso vale para todos os rótulos? Certamente não. Atualmente, a maioria dos exemplares são feitos para o consumo rápido. São vinhos jovens, de caráter frutado, que aguentam pouquíssimos anos — cerca de 3 anos — antes de perderem suas características.

O mito do vinho mais velho ser melhor surgiu com as bebidas quase míticas das regiões produtoras mais clássicas. Bordeaux e Borgonha, na França, e algumas italianas, como Montalcino, na Toscana, que dá origem ao poderoso Brunello di Montalcino, e o Piemonte e seus Barolos e Barbarescos. Vinhos doces e fortificados costumam envelhecer com muita classe também, como os vinhos do Porto e Sauternes.     

Esses ícones do mundo do vinho realmente têm grande potencial de guarda, muitos atingindo seu ápice após décadas. Esses líquidos preciosos passam por uma lenta oxidação ao longo do ano, adquirindo aromas e sabores muito peculiares. O buquê, termo usado para especialista para se referir aos aromas dos vinhos envelhecidos, traz frutas secas, defumação, couro, trufa, verniz, tabaco e vários outros aromas terciários.

Contudo, a maior parte dos rótulos não deve ser guardada por muito tempo. Um vinho é uma bebida viva e possui um ciclo de vida. E isso não tem nada a ver com qualidade, mas sim com estilo. Existem vinhos sensacionais que devem ser consumidos rapidamente, da mesma forma que há rótulos envelhecidos de qualidade suspeita. 

Caso uma garrafa seja guardada por mais tempo do que o necessário para que o vinho atinja o auge, a experiência será tão desagradável quanto beber vinagre. Porque o vinho terá perdido sua essência, oxidando completamente. Por isso, é crucial ter atenção ao tempo que a bebida pode envelhecer, além de fazer o armazenamento correto, em um lugar livre de trepidações, com pouca luz, umidade e temperatura controladas.  

Experimente nossas seleções e viva a melhor e mais abrangente experiência enológica. Associe-se!